Depois das eleições…

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Vendo esse trecho do livro de Saramago, na semana após o resultado da eleição presidencial deste ano, questionei-me se somos feitos todos desta mesma massa?

Vi tanta intolerância, maldade, ofensa, discriminação, xenofobia, raiva, ódio, uma quantidade absurda de veneno destilado sobre todos aqueles que votaram na Presidenta Dilma Rousseff, principalmente, aos brasileiros das regiões Norte e Nordeste, que fiquei alguns dias refletindo sobre isso.

O que mais me intrigou nisso tudo foi que as pessoas que despejaram seu lado mais perverso, preconceituoso, cruel e mau em seus contatos das redes sociais – sem o menor filtro de bom senso e respeito – se julgam superiores (intelectual e financeiramente) aos eleitores pró-Governo. Vi pessoas recriminando as políticas sociais do PT como ações que só alimentam um sistema de vadiagem, comodismo, insipiência e malandragem. Vi xingamentos e incitação ao ódio ao povo nordestino. Vi pessoas enlutarem por não ter tido vitória o seu candidato Aécio Neves. Vi pessoas desejando dividir o Brasil, estimulando a segregação política e social.

E, o que mais me entristeceu foi ver pessoas que gosto despejando o que há de pior dentro de si às pessoas que não lhe fizeram mal algum, apenas possuem uma opinião política diferente da sua.

Minha indignação maior é ver daqui a pouco, nas vésperas de fim de ano, muitas destas pessoas participando de campanhas de natal, doando brinquedos às crianças carentes ou participando de campanhas de solidariedade em suas empresas. Sendo totalmente incoerentes com seu discurso de ódio. Vendo isso, me pergunto por que fazem isso? Se criticaram e julgaram as políticas do Governo como se no nosso país não houvesse pobreza, nem pessoas carente de ajuda, como se todos aqueles que se beneficiam das políticas sociais do Governo fossem mau caráter e subtraísse dos mais necessitados essa ajuda (tirando o Todo pela minoria).

Outro fato curioso é perceber que um grande número de pessoas só se lembram que existe política às vésperas das eleições, umas 3 ou 4 semanas (no máximo) antes do dia da votação. E, de repente, assumem uma posição com toda convicção do mundo, sem ao menos validar as “notícias” que propagam nas redes sociais, sem pesquisar o histórico daquele candidato que tanto defendem, sem visitar as regiões dos que votaram (nas eleições passadas) no oposto a sua posição partidária e conversar com estas pessoas para saber se realmente são “encostados”, “malandros”, “acomodados” e tantos outros termos preconceituosos e ofensivos que me pouparei de repetir. Não. As pessoas não fizeram isso, simplesmente replicaram o que a mídia e seu grupo social diziam.

Por que é tão difícil respeitar aquilo que não corresponde a nossa expectativa? Por que é tão complicado aceitar que somos diferentes? Por que ao invés de extravasar tudo que há de ruim dentro de cada um não aprendemos a criar empatia – a nos colocarmos no lugar do outro e ver que não existe apenas uma verdade e o que é melhor para mim, pode não ser para você (e vice-versa)?

A lição que ficou para mim é que precisamos aprender a lidar com as diferenças, a controlar o que há de pior dentro de nós, pois, o mundo não precisa de mais ódio, intolerância e preconceito. Que política começa em vigiarmos nossos passos para não fugirmos dos nossos valores, para não pregarmos uma coisa dentro da igreja e fazermos totalmente diferente do lado de fora. Para não nos solidarizarmos vendo a guerra da Ucrânia ou da Palestina e incentivarmos o mesmo sugerindo a divisão do Brasil em dois. Que os brasileiros do Norte e Nordeste são brasileiros como eu e você. E que temos muito o que aprender com eles, pois, são um exemplo de auto-estima, de respeito ao próximo, de garra, de luta, pessoas que não se deixam abalar por ofensas, preconceitos, seca, nada disso, eles superam toda dificuldade porque são bravos, guerreiros e humildes. Sempre mantendo o sorriso no rosto.

E para você, qual foi a lição que ficou?

Luz, tolerância e bondade para nossa caminhada.

3 comentários

  1. Encontrei seu blog procurando por blogs inteligentes, e realmente foi uma postagem maravilhosa, era justamente o que eu estava pensando, as pessoas são extremamente agressivas se julgam melhores que os outros e se tornam uns selvagens especialmente o sudeste e falo por experiência por que sou paulistana e sei que o povo de São Paulo gosta de colocar culpas nos outros, se nada tá bom é só reclamar e todo mundo se torna uma corja de animais quando tem uma multidão ou a invisibilidade da internet pra proteger gostaria de ver todos esse povo protestar sozinho ou chamar de encostado e todo o resto as pessoas na cara delas.
    Depois de tanto tempo de escravidão, exploração e injustiça conseguem ter a coragem de desdenhar aqueles que levantaram o país a base de chicotadas para que italianos,japoneses e o resto dos imigrantes viessem e tomassem tudo como de direito…

  2. Eu achei muito triste. Pessoas que têm tudo para ir buscar a verdade ou ao menos tentar entender o outro lado sairam dizendo um monte de besteiras. E quando comentei mostrando uma outra visão, simplesmente apagaram a postagem como se nada tivesse acontecido. E continuaram falando outras besteiras. Hoje em dia com a internet é muito fácil procurar aumentar o conhecimento sobre um determinado assunto antes de falar besteira. Eu acho triste porque uma hora vão perceber a besteira e ai pode ser tarde.

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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