#PPS – Projeto Puerpério Suave, é possível?

Olá Meninas,

A minha bebê nasceu!

E eu resolvi encarar o meu puerpério de forma suave, sem sofrimento, e quero compartilhar com vocês essa etapa da minha vida.

A ideia não é dar conselhos sobre como criar os filhos, dicas de amamentação, nada disso. O meu intuito é mostrar que a maternagem não é algo trivial, o puerpério não é fácil, só que nada disso precisa ser sofrido, nós podemos sim optar por suavizar esses momentos em nossas vidas (se tivermos as condições necessárias para isso).

Vamos começar nivelando os nossos entendimentos:

  • O que é o puerpério?

É a conhecida “quarentena” dos tempos da vovó, mas há quem diga que dura até dois anos para a mulher retomar o seu estado (hormonal e fisiológico) anterior à gestação.

  • O que é maternagem?

É a fusão emocional a ser criada entre mãe e bebe, a chamada díade mãe-bebe porque os nossos bebezinhos só começam a perceber que existem independentes da gente, as mães, a partir dos nove meses. Portanto, do nascimento até os nove meses para eles somos um único ser, o que caracteriza a exterogestação.

Bom, alinhadas nos conceitos acima, vamos iniciar o meu relato de parto.

O meu parto (realidade x sonho).

Em outros textos aqui falei sobre a relação de amizade e admiração que tenho com a minha mãe. Mas, agora sendo mãe, eu entendi que a tenho como um forte referencial bem mais do que imaginava.

Eu nasci de parto natural (via vaginal e sem nenhuma intervenção médica nem medicamentosa), minha mãe engordou apenas oito quilos, trabalhou até a última semana de gestação, teve um trabalho de parto rápido e alta no dia seguinte ao meu nascimento. Não dependeu de ninguém. Chegou a casa, cuidou de mim, dos afazeres domésticos e de reorganizar a sua rotina com uma bebe. E se saiu muito bem! Mamãe é minha Diva! Um orgulho só!!

É claro que na minha mente eu ia ser igualzinha a ela, lógico! [o tal parto idealizado que eu tinha]

Mas, não foi nada parecido com ela. Com quase cinco meses fui diagnosticada com placenta prévia total (quando o embrião se instala na parte inferior do útero, o correto é se instalar na parte superior) e me foi exigido repouso até o final da gestação. Engordei 16kg. Precisei diminuir o ritmo do trabalho e parar antes do último mês de gravidez. Tive alta dois dias após o parto. Agora, o mais difícil para eu aceitar: teria que ter parto cesárea. Não tinha a menor chance nem de entrar em trabalho de parto por ser um grande risco para mim e a minha bebe. Plaft!! Um soco no estômago foi o que senti. Sabe por quê?

Porque desde quando pensei em ser mãe e iniciei os estudos, aprendi sobre os riscos de um parto cesárea para mim e o bebe – além, claro, de todas as desvantagens trazidas por toda a intervenção médica da cirurgia.

Essa realidade, -bem diferente do que sonhei-, foi difícil de ser encarada e eu esbarrei com o primeiro entrave psicológico da maternidade: a culpa. Tinha decidido que não seria uma mãe culpada, admitiria a minha imperfeição e procuraria evoluir com cada erro e acerto me tornando a melhor mãe que puder ser.

Chorei, conversei com a minha baby, pedi perdão por não poder dar a ela a melhor opção de parto (o natural) e disse que não tinha escolha, mas passaríamos por isso juntas e com sucesso.

Assim seguimos até quase nove meses. Na última ultra, o médico disse que o líquido amniótico havia diminuído muito e que seria bom antecipar o parto. Saí do consultório dele direto para o da minha obstetra. Confirmada a antecipação do parto para dois dias posteriores.

Liguei para os meus pais, que mudaram as suas agendas e se ajustaram para irem ficar comigo.

Chegou o dia. Nunca tinha entrado em uma sala cirúrgica, o medo se instalou, o pavor de algo dar errado era uma constante. Mas, como a minha médica me disse: “Que bom que existe a cesárea para nos ajudar em casos, realmente, necessários como o seu Carol. Tudo vai dar certo.” – e ela tinha razão.

Seguimos para a sala de cirurgia, o meu marido me acompanhou, minha médica e a equipe estavam lá, ela veio me falar que dependendo da evolução da cirurgia talvez não pudesse retirar a minha baby e me entregar direto, dando-a imediatamente à pediatra. Plaft! Um soco no estômago 2 (de novo)!

Eu havia idealizado também o momento do nascimento da minha filha, ela saindo de mim e vindo direto para o meu peito, olho no olho, corte do cordão umbilical tardio, começaria ali a nossa fusão.

Mais uma vez a realidade se mostrou diferente do que sonhei.

Ela nasceu, foi direto para a pediatra, eu sangrava muito (algo normal em casos de placenta prévia total) e a equipe médica precisou ser ágil e totalmente focada.

A cirurgia acabou, pensei que iria logo para o quarto com a minha baby, mas fiquei quase uma hora em observação e ao subir para o quarto ela não veio comigo. Ficou se aquecendo no berçário até poder subir. Plaft! Outro soco no estômago!

Enfim ela subiu e eu pude amamentá-la. Olhar nos olhinhos pequeninos e declarar o quanto eu a amava e estava orgulhosa dela.

Conseguimos, filhota! Parabéns!

Foram longas semanas de medo, repouso e sustos que tinham terminado com sucesso!

Eu quero destacar que todo o parto idealizado pode ser totalmente anulado pela realidade.

Quando vemos positivo no resultado (do teste de gravidez) nós não sabemos como a gestação irá se desenvolver, mas isso não quer dizer que a gente deva se frustrar. Como a minha médica disse a cesariana existe para casos onde não seja possível o parto natural e isso é muito bom!

Então, se você sonhou com a gestação e o parto de um jeito e a realidade se mostrou diferente não se deprima, não se culpe, não pare de curtir a sua gravidez. Estude e procure entender bem as razões lhe impostas sobre a realidade, converse com o seu bebe, confie nos médicos e siga em frente. O seu bebe agradece (e precisa) dessa sua força.

A partir desse momento começa o puerpério, que eu conto no próximo texto…

Continue acompanhando.

Ah! Caso conheça alguém que esteja passando por um quadro de placenta prévia, eu peço, compartilhe esse texto e diga que se ela estiver nas mãos de bons médicos para ficar tranquila, seguir as recomendações e ter fé que tudo dará certo.

Eu pesquisei muito na época e quase não achei material na internet sobre esse tema e isso me fez muita falta, por esse motivo eu resolvi compartilhar minha história com vocês.

Que possamos caminhar com luz, sabedoria, força e fé.

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Um adendo,

Quero deixar aqui algumas referências que foram fundamentais para mim:

>> Minha Equipe Médica:

Eu só tenho que agradecer imensamente a equipe médica que me acompanhou.

Deixo a referência deles abaixo para vocês:

  • Dra. Priscila Pyrrho – http://www.ellasaudedamulher.com.br/
  • Dr. Weuber Gontijo – http://www.elomedicinafetal.com.br/

>> Livros sobre Maternagem e Puerpério:

Eu não conhecia os conceitos acima e não fazia ideia do lado psicológico da maternidade e esses livros me preparam para o que estava por vir. Então, acho a leitura obrigatória a toda mulher que será mãe pela primeira vez ou que já tenha filhos porque a cada leitura a nossa consciência e percepção se expande e nos tornamos melhores sempre.

  • Mulheres visíveis, mães invisíveis – Autora Laura Gutman.
  • A maternidade e o encontro com a própria sombra – Autora Laura Gutman.

2 comentários

  1. Janyr Souza

    Orgulhosa mais uma vez de você minha filha. Sei que você é e será uma mãe melhor que eu. Obrigada pela minha netinha. Meu tesouro precioso.

  2. Nathalia Ribeiro

    Ótimo relato. Nós futuras mamães agradecemos por compartilhar esse momento tão único e ao mesmo tempo tão individual que você passou. Com certeza esse conteúdo servirá para muitas mamães que precisarão dessa informação tão nobre!!! Parabéns, Carol Souza!!!

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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