Jalapão, um lugar magnífico!

Nas férias de 2016, meu marido decidiu acampar pela primeira vez. Eu na hora disse que nem pensar! Onde já se viu, sair de férias depois de um longo ano de trabalho exaustivo para dormir no chão, sem chuveiro, sem privacidade e no relento! Ninguém merece.

Mas, ele me explicou que não seria assim, teria cama, colchão de mola, travesseiro fofo, chuveiro, banheiro privativo e restaurante. Desconfiei. Achei que seria pousada, mas não, era acampamento mesmo, no Jalapão/TO. Nunca tinha ouvido falar desse lugar.

Entretanto, tinha alguns detalhes:

  • Mosquitos
  • Cobras
  • Caminhão adaptado era o meio de transporte
  • Calor (muito calor)
  • Sem ar condicionado
  • Sem ventilador
  • Sol (muito) sol
  • Isolados do resto do mundo, sem energia elétrica, sem sinal de celular, sem internet.

Voltei a repensar se seria uma boa. Ele me mostrou a agência que nos levaria, a Korubo, e comecei a gostar da ideia.

Confiram como foi viver essa experiência.

Acomodação (barraca dupla):

2 camas de solteiro (super confortável), roupa de cama macia, travesseiro fofinho, banheiro privativo (sem chuveiro), com um armário para guardar as roupas e os sapatos, barracas grandes e bem arejadas.

O chuveiro é em outra parte, isolado, tem o masculino e o feminino, lá dentro tem mais de 5 chuveiros privativos, com um grande espelho, onde a mulherada fica se arrumando. A água vem do rio é super fresquinha, limpinha, uma delícia!

A barraca:

Bem espaçosa, arejada (a noite faz até um friozinho), com essa varandinha que é uma delícia a tardinha para ler um bom livro debaixo da árvore.

O transporte:

É uma experiência, pense assim. Porque sacoleja demais, não tem ar condicionado, os bancos são adaptados, as janelas tremem o tempo todo, faz um barulho danado, se você só anda de carro e com o ar ligado, esteja aberto a viver de uma nova forma. É quente lá dentro (bem quente), mas pelos lugares maravilhosos que ele nos leva nos passeios, vale cada suor.

O Acampamento (área comum):

Não tirei foto porque como disse, lá não tinha energia elétrica, a noite existe um gerador que fica ligado só algumas horas justamente para podermos recarregar a bateria do celular, eu deixava o meu lá carregando e priorizava tirar fotos dos lugares nos passeios. Mas, posso dizer que é tudo muito amplo, organizado, limpo, bem cuidado e não tenho nenhuma reclamação para fazer. O restaurante é uma delícia, as refeições são todas fresquinhas, comida caseira de alta qualidade, chegávamos dos passeios roxos de fome e sempre tinha um jantar fresquinho e saboroso nos esperando.

Tem também um redário que serve para tirar um cochilo após o almoço, porque devido a grossura das lonas das barracas fica muito quente a tarde. Não dá para ficar lá. Então, todos recorriam para as redes. Depois de um banho de rio então, aí que ficava uma delícia.

Os passeios:

A Prainha do Rio Novo, fica dentro do acampamento, às beiras do rio, um lugar simplesmente apaixonante, tranquilo, um pedacinho do paraíso. No fim da tarde, comecinho da noite tem muito mosquito, a mim irritava aquele zumbido todo, mas tem gente que curtia mesmo assim. Depois que a noite chega os mosquitos se vão e ficam só as estrelas no céu iluminando todo o rio. O céu mais lindo que já vi na minha vida! Nem sabia que tinha tanta estrela!!! Apreciar as estrelas a beira do rio é o ponto alto do acampamento e o que faz valer todo o perrengue de acampar no cerrado.

As Dunas, ma-ra-vi-lho-sas!!!!! Fizemos o passeio no entardecer para assistir ao pôr-do-sol lá de cima. Um dos mais belos que já vi até hoje em minhas viagens.

Cachoeira da Velha, essa é só para admirar de longe. Uma vista muito bonita, mas que deixa a gente aguada porque debaixo do sol forte não poder tomar banho é de frustrar qualquer um.

O Cânion de Suçuapara é o primeiro passeio que fazemos a caminho do acampamento. Esse sim dá para se refrescar naquele calorão! Um local encantador, escondidinho e muito bonito.

Subida ao Mirante da Serra do Espírito Santo, uma trilha nada fácil para quem tem limitações nos joelhos, como é o meu caso, o grupo tinha quase 20 pessoas. De variadas idades -dos 20 aos mais de 60 anos- e com exceção de mim (que só fui até a metade da trilha) todos conseguiram ir. Mas, ao chegar lá em cima todos voltaram reclamando que o esforço não compensou a vista. Então, minha dica para você é ficar lá no acampamento (que era uma opção) e curtir o rio com o silêncio que fica quando todos saem para algum passeio (eu fiz isso quando foram fazer canoagem, fiquei sozinha lá, meditando e foi uma experiência incrível, recomendo).

Pode mergulhar, você não afundar no Fervedouro! Uma sensação única. Água morninha, areia grudenta e sombra a vontade.

E o melhor de todos deixei por último: a Cachoeira da Formiga!!!!! Que lugar é esse!? A cor da água é de um azul turquesa que nunca vi igual. A MELHOR cachoeira que eu conheci até hoje (e olha que adoro uma cachoeira, hein). Tem partes fundas e outras nem tanto, dá para entrar e ficar só em pé se refrescando, mergulhar e escalar parte dela. Sem dúvida só ela já faz valer todo o passeio! Imperdível!

Palmas:

Assim que chegamos no Tocantins, em Palmas, ficamos hospedados em um hotel até o dia seguinte em que o ônibus da Korubo nos busca e leva até Ponte Alta, onde trocamos de transporte após o almoço e pegamos o caminhão até o acampamento no Jalapão.

Então, aproveitamos para conhecer um pouquinho de Palmas e adoramos a cidade, pessoas gentis, ruas limpas, praças bem cuidadas e um shopping bem simpático com ótimos preços e uma comida muito boa. Recomendo dar um giro na noite que chegar e também quando voltar do acampamento.

Bora conhecer esse mundão!?

Boa viagem!

 

Um comentário

  1. Luiz Shigunov

    Realmente um lugar magnífico que vale a pena voltar 🙂

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *