Quando eles partiram…

Foi junto muito daquilo que eu sabia de mim.

Muito da minha autoconfiança,
Muito da minha defesa,
Muito dos meus planos futuros,
Muito dos meus sonhos,
Muito da minha força,
Muito de quem eu era.

Precisei (re)aprender a ser forte…
… a (re)aprender a sonhar,
… a (re)aprender a fazer novos planos,
… a (re)aprender a confiar,
… a (re)aprender a amar.

Hoje, descobri que preciso aprender mais uma coisa: a recolher o que me pertence e deixei ir com eles. Eu ainda não sei como farei isso, mas não tem problema.

Eu sei que conseguirei porque aprendi com o vovô que sou capaz de realizar tudo o que me propuser a fazer. E com a vovó que sou feita de Amor, um sentimento que me preenche e às vezes transborda por aí como as águas de um rio que seguem por entre as pedras.

Uma amiga me disse que talvez eu precise mudar as pedras de lugar, permitindo que as águas sigam o seu fluxo natural, mas por um novo trecho. Quem sabe ela não tem razão?

Eu não sei se o céu existe e só vou descobrir quando também partir. Mas, se existir, eu desejo que seja como aquele lindo jardim da novela A Viagem, onde ao chegar eu a veja com o seu vestido florido, o seu perfume de lavanda, as suas unhas e o seu batom vermelho (como eu também aprendi a usar) e os seus cabelos penteados com os grampos nas laterais (como eu também gosto de me pentear). Quanto a ele, acho que vou encontrar com a sua camiseta branca de algodão, a sua bermuda de linho, o seu galho de arruda atrás da orelha, suas firmezas e seus patuás e calçando as suas sandálias de couro.

Eu correrei na direção deles, abraçarei bem apertado, beijarei as suas mãos pedindo suas bênçãos – como sempre costumava fazer. Direi que o meu amor por eles nunca se apagou, que eles ainda vivem dentro de mim, nas minhas melhores lembranças. E que continuarão vivos nas lembranças das histórias e fotografias que terei contado aos meus filhos, para que possam contar para os filhos deles.

Se mil vidas eu tivesse e a mim fosse concedido o direito de escolha, mil vezes a sua neta eu seria sem titubear.

Obrigada Vida por ter me dado os melhores avós que eu poderia ter.

Obrigada vovô e vovó por tanto amor, sem julgamentos, sem cobranças, sem comparações, por me amar com o mais puro amor que pode existir.

Eu os amarei para sempre.

Da sua neta, com saudades.

Um comentário

  1. Luiz Shigunov

    🙂 Muito bonito. Que bom que você pode conviver e aproveitar os teus avós. Não tanto quanto querias, é verdade.

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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