O desinteresse nem sempre é do outro.

 

Muitas vezes começamos uma conversa com a típica frase “Oi, tudo bem?”. E a resposta padrão é quase sempre a mesma “Tá, tudo bem.” – mesmo não estando nada bem. Parece que o nosso cérebro responde no automático.

Hoje em dia, com as redes sociais, está cada vez mais comum as conversas serem por linguagem escrita, são raros os diálogo por video ou audio. O grande vilão desse tipo de comunicação, a escrita, é a falta de percepção da emoção e dos sentimentos que estão por trás daquela mensagem escrita. Não conseguimos sentir o outro só lendo as suas palavras na maioria das vezes.

Eu, quase sempre, começo minhas conversas com essa pergunta e estou de verdade interessada na resposta, mas, em 99% dos casos eu recebo a resposta padrão citada anteriormente como resposta. Isso ainda me causa muito desconforto porque eu sei que é praticamente impossível as pessoas estarem sempre bem. O pior de tudo é ver que mesmo assim elas se queixam de não terem com quem conversar, reclamam que não há ninguém interessado em escutá-las em dar uma palavra amiga.

Tem muitas pessoas que eu já me cansei de perguntar como a vida está, de propor ideias para saírem daquela vida sem sentido que vivem, para conquistar aquele emprego que desejam, para se livrarem daquela angústia que lhe atormentam.

A sensação que tenho é que as pessoas fogem de si mesmas, de seus medos, de suas angústias, de suas derrotas, fingem não perceber que a felicidade delas está em suas próprias mãos e elas estão ignorando esse poder e preferem viver vidas medianas e sem plenitude.

Vejo jovens deixando as suas vidas passarem diante de seus olhos como se estivessem em uma estação de trem sentados, olhando os trens chegarem e partirem, e, sem motivação nenhuma de viver permanecem ali imóveis por dias, meses, anos vendo o tempo passar e deixando de viverem, de se alegrarem, de conquistarem os seus sonhos, e, eu me pergunto por quê?

Muito triste ver pessoas tão jovens, com todo um futuro pela frente, sucumbindo a sua solidão, a inércia, ao medo do que lhe é desconhecido, não assumindo as rédeas de suas vidas.

Por isso, quando alguém lhe perguntar se está tudo bem e se não estiver, não omita, não fique no automático, assuma as suas emoções, encare-as de frente e diga isso ao outro. Talvez a pessoa possa ter lhe perguntado apenas por hábito, mas talvez não. A probabilidade é de 50% para um ou para outro. E se a intenção dela realmente for saber como você está, seguramente, ela se alegrará com a sua sinceridade e, quem sabe, a partir dessa conversa franca e autêntica não possa surgir o alívio no peito, a coragem, a esperança ou a ideia necessária para que você tenha uma vida mais feliz? Não custa nada arriscar.

Queixar-se de quem ninguém quer saber como você está, que as pessoas não estão interessadas, que não querem conversar é uma atitude vitimista e passiva da sua parte. Mude as suas atitudes e surpreenda-se com o que o universo pode lhe presentear.

Luz na caminhada.

3 comentários

  1. Emilia

    Sim, às vezes eu também apenas respondo que está tudo bem, sem na verdade estar. Existe também o receio de ser mal interpretada, de acharem que só reclamo, essas coisas. Normalmente não é isso… Pode ser um dia que não dormi tão bem, ou que passou algo no trabalho ou simplesmente um cansaço. Descobri recentemente rsrs que encher demais meu fim de semana (mesmo com coisas legais de fazer) estava me estressando… Descobri que preciso às vezes só de um tempinho quieta em casa mesmo, vendo alguma coisa que me agrada, lendo um livro, dormindo um pouco mais. E também acredito que as pessoas estão cansadas, são muitos afazeres no dia a dia, muitos compromissos, então nem sempre conseguimos estar com os amigos como gostaríamos. Claro que temos que nos esforçar para não deixar passar as oportunidades de estar juntos. Enfim, tentarei ser sincera e ver como me saio na próxima vez rsrs.

  2. Rodrigo Sandes

    Muito interessante esse tema. O hábito de utilizarmos jargões para iniciar uma comunicação expressa exatamente a proposta de transmitir a informação que deseja sem a preocupação real com o outro. Particularmente, me utilizo de outras expressões para tentar viabilizar uma comunicação mais sincera e transparente, buscando demonstrar ao outro meu interesse e preocupação com ele(a), como: “como vai?”, “Como foi seu final de semana?”, além de introduzir na conversa meus próprios exemplos, mostrando ao outro, que ele(a) possui liberdade para também expressar suas opiniões verdadeiras.
    Criar um relacionamento transparente e sincero tem se tornado cada vez mais difícil nos dias de hoje, principalmente com o método de comunicação que utilizamos. Cabe a nós mesmos colocar nossos corações no diálogo para que uma relação de confiança possa ser estabelecida.
    Espero poder ter contribuído. Grande abraço.

  3. Luiz Shigunov

    Eu fico chocado com a passividade das pessoas hoje em dia. Muitos não têm a atitude necessária para consquistar o que querem. Vão levando a vida como se um dia, magicamente, fosse cair do céu o que querem.

    Só espero que não descubram tarde demais que só chuva cai do céu.

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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