O Amor que não elogia II

Como muitas pessoas continuam interessadas nesse tema e venho recebendo muitos comentários e e-mails sobre esse assunto, decidi dar continuidade sobre essa situação.

Se você ainda não leu o primeiro texto, clica aqui.

Vamos lá, uma coisa é a outra pessoa não ter o hábito de elogiar ninguém, não se atentar para essa necessidade do seu par e, portanto, acabar não fazendo nunca nenhum elogio. Então, a pessoa que tem essa necessidade diz isso para a outra e pede que esta passe a reparar mais nela e a demonstrar apreciação por meio da prática de elogios.

Sabemos que a criação de um novo hábito não ocorre do dia para a noite, por isso, será necessário ter paciência até essa prática de elogiar se torne natural e comum para a pessoa.

Entretanto, o que venho recebendo de comentários não é bem isso, a pessoa sente falta de receber um elogio, de se sentir apreciada, valorizada por quem ama e diz isso com toda clareza para o seu par – que escuta e ignora (quando não ridiculariza essa necessidade). Nesses casos não estamos falando de alguém desatento ao outro, mas sim de uma pessoa que não reconhece e valoriza algo importante para quem, teoricamente, diz amar e querer conviver em um relacionamento.

Quando nos abrimos para aquela pessoa que escolhemos compartilhar a nossa vida e percebemos que a nossa necessidade é tratada com deboche, descaso e ironia, precisamos compreender que isso não é uma atitude de quem ama (de verdade), de quem nos respeita e deseja a nossa felicidade.

Nesses momentos, precisamos pensar se, realmente, acreditamos que ter esse tipo de relação é o melhor que conseguiremos ter e se ainda não sendo valorizada e respeitada dessa forma ainda é uma opção melhor do que estar sozinha. Digo isso porque o que mais recebi de comentário sobre esse tema foi de mulheres que se sentem menosprezadas por seus parceiros, que não as elogia mas não hesitam em valorizar outras mulheres, e, ao escutarem delas essa necessidade ou as mandam calar ou as ridicularizam. Isso NÃO É AMOR. Isso é violência verbalizada, desrespeito, descaso.

A vida sozinha pode até não ser fácil, mas, sinceramente, é muito melhor do que estar com quem não nos respeita, valoriza e ama.

Se ele não consegue entender essa sua necessidade, se ele faz pouco caso, se ele manda você se calar quando expõe os seus sentimentos, NÃO ACEITE ISSO. Ninguém trata desse jeito quem ama. Caía fora dessa relação. AME-SE EM PRIMEIRO LUGAR.

Você pode e merece ser amada por quem lhe respeita, aprecia, valoriza, escuta e cuida. Não se diminua e nem se anule por ninguém!

O Amor que não elogia, mas sabe lhe humilhar, agredir com palavras, menosprezar, insultar e desrespeitar não é amor, é sentimento de posse, você não é um objeto para ser de ninguém.

Por um mundo com mais respeito uns pelos outros.

Com mais amor, carinho, cuidado e sabedoria.

Luz em nossas caminhadas.

Um comentário

  1. WILSON REZENDE CUNHA

    É isso mesmo ! Se vc não é reconhecido(a) pelo(a) parceiro(a), mas esse(a) parceiro(a) reconhece predicados em outrem, você é a vítima! Mas se, em geral, não há reconhecimento em quem quer que seja, aqui faço a lembrança de um pequeno trecho deixado por Shakespeare: …”com o tempo você descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso”. Vamos tentar perceber e reconhecer pequenos, mas significativos gestos que, por mais ínfimos que sejam, podem representar grandes valores afetivos.
    Aproveito para citar:
    Quando me tratas mal e, desprezado,
    Sinto que o meu valor vês com desdém,
    Lutando contra mim, fico a teu lado
    E, inda perjuro, provo que és um bem.
    Conhecendo melhor meus próprios erros,
    A te apoiar te ponho a par da história
    De ocultas faltas, onde estou enfermo;
    Então, ao me perder, tens toda a glória.
    Mas lucro também tiro desse ofício:
    Curvando sobre ti amor tamanho,
    Mal que me faço me traz benefício,
    Pois o que ganhas duas vezes ganho.
    Assim é o meu amor e a ti o reporto:
    Por ti todas as culpas eu suporto.

    e também para repensar:

    Tal qual amador no palco,
    Que com seu medo é substituído em sua parte,
    Ou algo de feroz com seu excesso de raiva,
    Em sua abundância de força, fraqueja internamente;
    Assim eu, medroso com falta de confiança, me esqueço de dizer
    A cerimônia perfeita do rito amoroso,
    E na própria força do meu amor pareço decair,
    Sobrecarregado com o peso do próprio poder do meu amor.
    Ah, deixa então que os meus livros sejam a eloquência
    E mudos presságios do meu peito transbordante;
    Que roga por amor e tenta ser recompensado
    Mais do que aquela língua que mais já se expressou.
    Oh, aprenda a ler o que o amor silente escreveu;
    “Ouvir com os olhos” pertence ao fino senso do amor.

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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