Está faltando amor.

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O texto hoje foi inspirado nesse trecho do livro “Pequenas Delicadezas” que estou lendo e me emocionando a cada capítulo.

Refletindo sobre isso vi que está cada dia mais difícil encontrar verdadeiras amizades, seja entre homens ou mulheres, jovens ou velhos, não importa a crença, faixa etária, classe social, nível de instrução, nada importa. É algo generalizado as pessoas estão verdadeiramente distantes umas das outras, embora a máscara das redes sociais as mantenham sempre conectadas. Então me pergunto: “Conectadas a quê? A quem??”

Hoje não vejo mais os adolescentes marcarem trabalho na casa dos colegas, para aproveitar aquele lanche que a mãe sempre fazia, para estender a convivência, a conversa, as brincadeiras para além das fronteiras da escola. Não, hoje é tudo por Skype, por Gtalk, por Facebook, por Whatsapp! Que coisa esquisita! No trabalho, muitas vezes não passam de conhecidos ou colegas. No máximo sair para tomar um chopp e ficar falando de superficialidades ou de trabalho e adicionar mais um “amigo” no face. Quem se importa verdadeiramente com a vida do colega que passa muitas vezes mais de oito horas por dia ao seu lado? Com quem você almoça todos os dias? Quem?

Quem se incomoda ao ver seu amigo triste? Quem fica preocupado com o colega calado, recluso, sem dar as risadas e fazer as habituais brincadeiras? Quem se preocupa em saber como estão todos os seus familiares, não digo parentes distantes, mas familiares próximos: tios, tias, madrinhas, mãe, pai, irmão, sobrinhas, avós. Saber como eles estão de saúde, no trabalho, na vida, mesmo que não dê para conversar com todos, todos os dias, mas pelo menos saber deles por algum familiar que você mais tenha contato. Mandar vez ou outra um SMS, e-mail, só para dizer que está com saudades e que o ama.

Sabe aquela amiga que some? Quem realmente se preocupa? Quem fica interessado genuinamente em como está um amigo ao ler um post triste e melancólico nas redes sociais? Ou simplesmente por constatar que aquele amigo que diariamente postava várias coisas no face não posta mais nada, nem responde seus e-mails, quem?

Quando alguém vem lhe contar sobre algum momento triste ou dificuldade que esteja vivendo, você se interessa em saber a razão daquilo? Você compromete seu sono em saber que um amigo está para baixo, desanimado, triste ou simplesmente diz meia dúzia de frase de efeito do tipo: “É assim mesmo cara”, “Fica assim não”, “Bola pra frente” e acha que já fez sua parte?

O que eu vejo nas relações das pessoas é essa falta de amor citada acima. As amizades são ilusórias (se é que podemos chamar de amizade), o amor no tato com as pessoas está cada dia mais raro, mais incomum, não vejo pessoas terem o cuidado de lidar com carinho, de escutar os problemas, de aconselhar, de se importar com o outro (que dizem gostar). É tudo muito banalizado, muito padronizado, fútil, oco, vazio.

A maioria das pessoas tem medo de assumir suas imperfeições, suas limitações, e querem sempre passar a imagem de fortes, felizes e bem resolvidos. E por conta dessa máscara de felicidade não compartilham seus medos mais profundos, não sabem mais pedir ajuda, ouvir experiências de outras pessoas, desaprenderam a manter relacionamentos sinceros e profundos, pois, isso só é possível mediante duas coisas: humildade e confiança. É impossível ser amiga do “Melhor do mundo”, aquele que não tem defeitos, tudo que faz é perfeito, não tem sentimentos tristes nem fraquezas. Ou em quem não confio. Eu não sei ser amiga de pessoas soberbas e nas quais eu não confie.

Amizade para mim é uma forma de se conhecer melhor através dos outros. E para isso é preciso confiar, compartilhar, amar.

Amar para mim é o nível mais alto de relevância que alguém pode ter na minha vida. Sua presença me torna mais feliz.

Eu já passei por grandes dificuldades por ser completamente o oposto disto que vejo atualmente – eu me envolvia profundamente com os problemas, as dificuldades dos meus amigos e familiares. Já perdi noites de sono pensado em como ajudar um amiga que estava passando por sérios problemas familiares, já chorei junto de muitos amigos, já fiquei horas rezando e pedindo a Deus para resolver situações difíceis de familiares e amigos. Só que eu me envolvia além da conta e somatizava para mim problemas que não eram meus e, pior do que isso, não cabia a mim resolver, por isso, se tornava muito caro o preço que pagava por essa dedicação extremista.

Aprendi a moderar esse meu envolvimento com assuntos que não cabiam a mim tomar a frente para solucionar. Entretanto, isso não significa que eu não me importe quando alguém vem compartilhar comigo seus problemas, eu escuto com atenção, procuro encorajar a busca de uma solução, me interesso em sempre dar apoio e acompanhar até que a solução seja atingida com sucesso.

Só que com o passar do tempo, com a superficialidade das relações, estou constatando que essa minha forma de agir está se tornando antiquada porque o retorno muitas vezes não é recíproco. Tenho poucos amigos que também se importam comigo.

Fico me perguntando se estou certa em continuar agindo assim: doando sempre mais, dedicando amor a todos aqueles que gosto. Só que esses são meus valores: amor e dedicação. E, sinceramente, não quero abrir mão disso. Portanto, busco equilibrar minhas expectativas, não esperando o mesmo das pessoas.

Enfim, acho que o mundo precisa mesmo de mais amor. E que poderíamos começar dando mais amor a quem está ao nosso redor. Sair um pouco do contato virtual, da zona de conforto e se doar mais ao contato visual, a lidar com as relações de forma direta, sincera e dando amor a quem nos relacionamos.

Mais Amor em nossas vidas!!!!

4 comentários

  1. Renato Lima

    O lema é amai-vos uns aos outros sempre.

  2. Patricia

    Espetacular, maravilhosa, é tudo que penso e tento viver,

  3. Patricia

    Gostaria que me autorizassem a gravá-la, com minha voz, obrigada

    • Oi Patricia,

      Obrigada pelo comentário. Quanto à autorização preciso compreender melhor. Você pode entrar em contato comigo por e-mail para conversamos a respeito.
      Abraços.

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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