Viagens que recomendo

Viajar é fundamental para viver bem.

Girl tourist in mountain read the map.

Para algumas pessoas esse título pode soar extremista, mas, para quem gosta de viajar, não.

Hoje, quero escrever especificamente para você, que acha que viajar é “jogar dinheiro fora”.

Eu acredito (e muito) que viajar nos torna pessoas melhores, mais evoluídas espiritual e culturalmente, nos engrandece a alma, nos faz enxergar a vida através de perspectivas jamais imagináveis – caso não tivéssemos saído do lugar.

Então, como meu blog é feito para compartilhar com vocês tudo aquilo que me faz bem vou contar um pouco dos lugares que conheci e me apaixonei.

Eu nem de longe sou uma especialista em viagens, portanto, não tenho a pretensão de dar orientações, roteiros e suporte como faria um viajante profissional. Simplesmente, quero compartilhar as emoções que senti nesses locais e deixar dicas para caso você decida ir lá conhecer também.

Viajar foi uma das belas lições que aprendi com meu avô e com meu pai. Lembro-me de quando criança, meu avô organizava anualmente viagens rumo à cidade de Aparecida, em São Paulo, mais conhecida como ‘Aparecida do Norte’, pois, como católicos sempre tivemos a tradição de visitar à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em sua véspera comemorativa (12 de outubro). E era muito, muito bom! Nós saímos da casa do vovô antes do dia clarear, no interior do Rio de Janeiro, com os sanduíches, cafés, chocolates, pastéis, empadinhas, todas essas delícias que compunham o nosso farnel da família.

Lá íamos nós estrada afora: vovô, vovó, mamãe, dinda, minhas tias e tios – papai quase nunca podia nos acompanhar por causa do trabalho. Eu lembro que só acordava quando o sol já havia iluminado a manhã, lá em Aparecida.

Ao chegar, nós tínhamos um ritual para a visitação: comprar as velas (tamanho natural) para acender na Basílica, depois seguir para a sala dos milagres (sempre ficava fascinada com as partes do corpo humano feitas em cera dedicadas a Nossa Senhora), para finalizar assistíamos a missa, caminhávamos até a imagem central de Nossa Senhora e, depois que a vovó se benzia, diante dos pés de Nossa Senhora, voltávamos para o estacionamento.

Pegávamos o nosso farnel, encontrávamos um local na grama abaixo de uma árvore para fazermos nosso piquenique, arrumávamos as coisas trazidas, lanchávamos rindo e conversando. Depois, vovó, mamãe, dinda e minhas tias seguiam até a parte antiga da cidade. Eu ficava ali, sentada com o vovó, que não gostava de ir às compras com as meninas. E sempre passava o vendedor de picolé, com o picolé mais peculiar que já vi na minha vida, e o vovó comprava para mim, que inevitavelmente me lambuzava inteira porque o bendito do picolé era gigante!

Mais tarde, após elas regressarem das compras, vovó se refrescava com um picolé (eu comia outro, claro para acompanhá-la), minhas tias e mamãe tomavam um café com leite e voltávamos para casa no cair da tarde. Felizes! Mais tão felizes, que se eu fechar meus olhos ainda hoje, posso sentir aquela sensação de plenitude tomando conta de mim.

Outro lugar que vovô adorava ir era em Muriqui, na região da costa verde do Rio, que na época da minha infância era bem bonita, limpa, poucos habitantes e visitantes. Na minha recordação, tenho naquele lugar, o primeiro local onde me hospedei. Lá aprendi com vovô a como me portar à mesa em local público, a passar a geleia educadamente nos pequenos pedaços cortados de pão, a controlar a gula para não devorar todas as opções do café da manhã. Cada simples ação era uma forma diferente de olhar para o que, até o momento, me era costumeiro: como o café da manhã, o almoço, o jantar, tudo era novidade, tudo era uma festa só.

Com o papai toda viagem era o “Dia do Sim’, tudo que pedia, papai fazia: biscoito, refrigerante, chocolate, algodão doce, pastel, passear no parque, as máquinas de bichinhos de pelúcia, era um sonho para mim e um pesadelo para a mamãe – que reclamava a cada “sim” que papai me dava.

Nossa primeira viagem foi à Saquarema, região dos lagos do Rio de Janeiro, foi tudo muito divertido. Meu pai é uma pessoa muito extrovertida, por isso, em qualquer lugar que chegamos ele logo faz amizade. Lembro que acordávamos bem cedo todos os dias para aproveitar cada segundo da viagem, pois, papai trabalhava no comércio e, portanto, férias longas era algo complicado. Então, nessa nossa viagem passeamos o dia inteiro. Eu mergulhava no mar sem medo, porque papai sempre ficava junto me protegendo, nós aproveitamos muito.

Recordo-me que a cada regresso voltava com certa nostalgia sobre aqueles dias que passaram, mas, ao mesmo tempo, sentia uma alegria que transbordava junto com aquelas recordações.

A sensação que tenho em cada regresso é que consegui me reinventar a cada viagem. Talvez, quando jovem, não soubesse nomear exatamente esse sentimento. Hoje, mais madura, depois de ter feitas outras viagens, ter vivido novas experiências, com novas pessoas, consigo definir bem essa sensação: reinvento-me a cada regresso.

E essa nova persona que surge é mais feliz do que aquela que partiu porque viveu novas experiências, olhou para outras realidades que antes só eram vistas nos livros, se sentiu uma estrangeira em novas terras, soube valorizar quem a acompanhou nesse lugar desconhecido. Quando você vive essas sensações é praticamente impossível não mudar, não evoluir em nenhum aspecto, ir e vir imutável, não tem como, o que vivemos e sentimos é forte demais para não nos modificar, para não nos aprimorar.

A nossa essência permanece. Só que com novas personas descobertas. Com novas perspectivas e expectativas adquiridas.

Então, deixo para você a mensagem:

“VIAJE, porque o mundo é grande demais para você ficar parado no mesmo lugar.”

2 Comentários

  • luizshigunov

    Eu concordo plenamente! Nós sempre viajávamos nas férias do meu pai. Não importava se a situação financeira estava difícil. Meu pai dava um jeito e lá iamos nós para a praia. Recordações muito boas! Até hoje me lembro do cheiro do capim que tinha no caminho entre a casa de praia da minha avó e a praia 🙂 Viajar te recarrega, dá novo ânimo, faz vc mudar a rotina. Adoro!

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