Por uma vida mais feliz

Para refletir.

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Ontem, enquanto estava no salão, fui surpreendida por uma bela lição da vida.

Uma mulher, por volta dos seus 40 e poucos anos, se aproximou da minha cabeleireira e a cumprimentou sorrindo. Sua aparência era um pouco pálida, mas, o seu sorriso atenuava o ar de cansaço. Ela cumprimentou a mim e aos outros ao redor sorrindo. E, então, seguiu para falar com seu marido – que era atendido por outro profissional. Ela o beijou e ainda sorrindo aceitou o café que lhe foi oferecido. Depois, voltou para a minha cabeleireira e perguntou se poderia voltar mais tarde para fazer uma escova, pois, naquele momento não poderia ficar porque tinha um cliente no escritório para atender. E, no meio da conversa, ela disse: “Hoje estou um pouco cansada porque vim da radioterapia. Esses dias sempre são punk.” – ela falou isso sem tom de pesar, queixa ou revolta, o seu tom era de simples constatação. Virou-se, pegou a xícara de café, e, ainda sorrindo, agradeceu e continuou conversando outras amenidades e fazendo brincadeiras conosco, que lá estávamos. Seu marido terminou de ser atendido, e, enquanto ele pagava, ela voltou e se despediu de todos. Se beijaram e foram embora.

Nesse momento, após a ida deles, a outra cliente, que aguardava o fim do meu atendimento, perguntou a minha cabeleireira se aquela mulher tinha câncer. Obviamente, minha cabeleireira respondeu que sim, que esse era o segundo que ela enfrentava e que tinha sido encontrado um novo tumor. Disse ainda que o pai da tal mulher havia falecido ano passado da mesma doença.

Ao ouvir isso, olhei para mim diante do espelho e me envergonhei das pequenas e constantes queixas que tenho o costume de fazer ao longo do dia: elevador demorado, sinal que não abre, ônibus lotado, tempo quente, frio, um quilo a mais na balança, 3G lento, e tantas outras coisas fúteis! Enquanto aquela mulher, vivendo uma batalha pessoal por sua vida chegou ali sorrindo, brincando e sendo gentil com todo mundo.
Eu fiquei pensando naquilo, a imagem do sorriso dela me marcou, um sentimento de profunda admiração por aquela mulher nasceu em mim. Eu torço muito para que ela se cure.

– Moral da história:

Decidi procurar vigiar mais minhas atitudes, meus pensamentos, minhas palavras. Eu acho que isso faz parte do amadurecimento, essa capacidade de se encarar diante do espelho, ver nossas fraquezas, nossos erros, e, mudar, evoluir como ser humano. Buscar nos tornarmos uma pessoa melhor, capaz de oferecer mais amor, tolerância, gentileza a todos que cruzarem nosso caminho.

Eu resolvi mudar. E, talvez, se cada uma das pessoas pudessem dedicar alguns minutos para olhar pra dentro de si e buscar onde poderiam melhorar, se isso fosse feito, acho que teríamos um mundo melhor, com pessoas menos apegadas a bens materiais e mais voltadas para o que realmente vale a pena na vida, o amor a si próprio e ao outro.

E você, será que não tem nada para mudar?

Um comentário

  • luizshigunov

    Bonito texto. Não deve ser facil enfrentar uma doença tão difícil como o cancer dessa forma. Mas acho que é a melhor forma de se lidar. Eu já não faço essas pequenas queixas e não me aborreço com coisas pequenas. Mas ainda estou praticando isso no trânsito. É difícil não reclamar dos lerdos 🙂

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