Conversas sobre a sociedade

Obrigada Roberto Bolaños.

chaves

Ontem se foi o melhor humorista que conheci até hoje, Roberto Bolaños, o Chaves como é mais conhecido aqui no Brasil. Com esse texto quero deixar meu sentimento de gratidão registrado a ele que foi meu “amigo” durante toda minha infância.

Como já disse em outros posts, sou filha única e grande parte da minha infância convivi sem a presença de crianças por perto, era eu e minha mãe a maior parte do dia, com o papai e o restante da família durante os finais de semana. Por isso, além das minhas bonecas eu tinha um amigo imaginário, ou melhor, uma turma inteirinha composta da Vila do Chaves, onde nos encontrávamos todas as tardes no SBT.

Minha mãe até hoje não entende como após tantos anos, após ter decorado as falas de quase todos os episódios, mesmo assim ainda sorrio e acho graça das brincadeiras do Quico, do Chaves, da Chiquinha, da rabugice da Dona Florinda, do Seu Madruga, das armadilhas que o Seu Barriga sempre caía, das caras-e-bocas da Dona Clotilde e das aventuras do Chapolin.

Eu entendo e explico: o Chaves é um seriado que não tem falso moralismo, onde tudo é politicamente correto, onde temos que ter cuidado com o que é dito, insinuado, exibido, a vida é como acontece em qualquer lugar. As pessoas são simples, sem luxo, sem falsidade, tem defeitos, tem valores dúbios, tem contra-exemplo, não tem a obrigação de ser o comercial de margarina, onde todos são perfeitos o tempo inteiro. Nada disso! Lá é uma vila onde acontece o que vivenciamos no nosso cotidiano sejam em nossa casa, na vida de amigos, no trabalho, tanto faz, a vida é como ela é sem máscaras.

Naquela época, eu nem sabia o que era TV por assinatura, lá em casa era só TV aberta mesmo (por muitos anos nem TV colorida nós tínhamos). Ao chegar do colégio era de lei, trocava o uniforme, a mamãe esquentava nosso almoço, sentávamos em frente à TV na sala e víamos o Chapolin e o Chaves, depois mamãe lavava a louça, deitávamos para descansar e levantávamos mais tarde para arrumar a casa e depois enquanto eu fazia as minhas lições e estudava, mamãe fazia o jantar, lavava a roupa e depois preparava a aula do dia seguinte. Foi assim durante minha infância.

Chegada a adolescência, pouca coisa mudou, apenas minhas responsabilidades aumentaram e eu conheci algumas amigas da vila de cima de onde morava. E, ao passar a conviver a rotina de outras famílias, vi que era tudo igual, chegar do colégio, tirar o uniforme, almoçar vendo Chapolin e Chaves.

Mais de 30 anos se passaram e o SBT ainda reprisa todas as tardes o programa do Chaves. Ontem, após o comunicado do falecimento do Roberto, vi vários amigos nas redes sociais lamentando a perda desse grande artista. Vi jornais nacionais e internacionais mencionando a perda de “El Chavo del ocho” – como era conhecido no México. Vi artistas lamentando sua partida. Isto tudo só mostra o quão especial e mágico foi esse artista que com histórias simples, sem grandes efeitos especiais, sem um cenário majestoso, um figurino de alta costura, uma fotografia e filmagem de primeira qualidade, conseguiu perpetuar sua ideologia, seus personagens e seu roteiro vivido no dia a dia de cada telespectador de forma genial.

Dizer qual meu personagem preferido é muito difícil, pois, amo cada um deles o Doutor Chapatín (“Isso me dá coisas…”), o Chapolin (“Calma, calma. Não criemos pânico…”) e o Chaves (“Isso, isso, isso”). Pequenas falas que marcaram minha infância, adolescência, minha idade adulta e, sem a menor dúvida, me lembrarei até minha velhice – porque bons momentos são para sempre.

Minha mensagem final para você Querido Chespirito (que significa pequeno Shakespeare) …

fim

Muita, muita, muita luz na sua caminhada!

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