Amizade das Antigas

amigas

Há quanto tempo não escrevo sobre amizade. Acho que deve ser porque nos últimos meses vivo em um círculo de decepção >> nova amizade >> nova decepção e por isso faltava inspiração.

Ando um pouco nostálgica daquelas amizades das antigas, sabe? Aquelas bem tradicionais, de frequentar a casa uma da outra, de conversar todo dia, de compartilhar segredos dos mais profundos até a lista de compras do mercado. Tempo bom era esse, que só vivi durante o fim da infância e meados da adolescência. Depois foi uma onda de altos e baixos, um carrossel de amizades (ora algumas subindo e outras descendo) se perdendo ao longo do tempo.

Para alguns, as redes sociais são vitais, pois, os amigos virtuais saciam essa nossa necessidade de viver entre semelhantes: de ter alguém a quem confiar, de ter uma família extra (além da nossa) escolhida pelo coração, conversar olhando nos olhos e ouvindo o tom de voz, ter quem nos dê um abraço apertado ao perceber nossa tristeza, alguém que seque nossas lágrimas durante um desabafo. São coisas simples, que podem parecer bobas e das antigas para muitos, mas, como sou um jovem com alma de senhora, gosto dessas coisas antigas.

Sinto falta de ter uma amizade com quem converse diariamente, com quem possa compartilhar um bolo no café da tarde, com quem possa ir junto ao mercado, possa sair e rodar pelas lojas vendo vitrine e dando boas risadas. Alguém que faça parte da minha intimidade. Eu conheço poucas pessoas que conseguiram manter suas amizades antigas, geralmente, elas continuaram morando no mesmo bairro. Eu não tive essa sorte, mudei de cidade, trabalho longe delas, e ao longo do tempo acabamos nos distanciando pela correria do cotidiano.

Então, a você que tem essa Amizade das Antigas, cuide muito bem. Porque como já falei no post (Amizade, artigo raro hoje em dia.) isto está escasso. Atualmente o mundo é cheio de conectividade e almas vazias, pessoas estão em seus smartphones conectadas com todos e sozinhas em seus sofás, andam pelas ruas vidradas na tela do celular e nem se dão conta às vezes quando um amigo passa ao seu lado. Ninguém tem tempo para se mostrar e conhecer verdadeiramente um ao outro. Todos somos consumidos pelos afazeres. Reparem nos bares, eles estão com suas calçadas cheias de pessoas confraternizando o final de ano, porém, todas elas voltam sozinhas para suas casas acompanhadas de suas tristezas, angústias, questões e medos interiorizados porque a ditadura da alegria diz que não ser feliz é um defeito inaceitável. Por isso temos que ser sempre felizes e divertidos. Será mesmo?

Fica aí essa perguntinha para todos nós.

Que em 2015 sejamos mais próximos, genuinamente próximos, e interessados uns pelos outros, como no tempo das antigas.

Luz.

4 comentários

  1. gostei mto do texto, Carol… É vdd… As pessoas vivem nessa correria diária, em busca de saciar o consumismo imposto pela sociedade e levando uma vida de aparências, para que todos achem que são mto felizes, inteligentes, descolados, cheios de amigos e vida social agitada e invejável.. mas no geral, amizades sinceras e pessoas com quem se pode contar de vdd, e não só pras futilidades, são poucas ao nosso redor… triste realidade… 🙁

    • Oi Renata,

      Obrigada por seu comentário =)

      Um 2015 de muita LUZ e verdadeiras amizades em sua vida!!

  2. MARCELO

    É somos dois, no meu caso foi eu que mudei muito para não manter eles por perto. Apesar de ser estranho e bom ler algo assim, nos faz refletir sobre nossa vida. Obrigado

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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