Conversas sobre a sociedade

O mundo está intolerante.

images

Não há quem não tenha ouvido, lido ou comentado nos últimos dias sobre o atentado ao jornal francês Charlie Hebdo por parte dos muçulmanos extremistas. Todos fomos tristemente notificados pelos jornais dessa tragédia logo nos primeiros dias do ano. O que foi pior ainda, embora bem menos noticiado, consiste no massacre na Nigéria (onde o número das vítimas pode chegar a duas mil pessoas) realizado pela seita islâmica Boko Haram.

Ainda teve outro atentado a um jornal na Alemanha, que republicou a charge feita pela Charlie. Uma coluna totalmente preconceituosa de uma jornalista no O Globo sobre a classe pobre. E, quando eu pensei que não teria mais nada, eis que me deparo com a notícia que uma muçulmana brasileira, pernambucana, moradora de São Paulo, foi apedrejada e insultada no meio da rua por usar o traje hijab (o véu) de sua religião.

Queria entender onde o mundo vai parar com tanta gente intolerante?

E esse comportamento não se restringe a diferenças religiosas ou raciais. Ela está na pele de pessoas muito próximas ao nosso convívio. Dias desses uma amiga me magoou muito pela forma grosseira e intolerante na qual me tratou por eu não ter correspondido a expectativa dela. Outra amiga disse que muitos de seus amigos acham certo a postura do jornal Charlie insultando os mandamentos do islamismo, fazendo as charges. Fora todas as ofensas que algumas amigas passam/passaram aqui no Rio por serem nordestinas e desrespeitadas aqui no Sudeste por muitas pessoas.

Estão percebendo? As pessoas não se toleram mais. Não compreendem a diferença. Não aceitam que os outros tenham atitudes distintas das suas expectativas criadas. E reagem de forma agressiva. Não há diálogo. Não há comunicação. Não há liberdade. Não há respeito. Não há compaixão. Só há dedos apontados uns para os outros.

Fico com a sensação de que estamos todos fadados a seguir manuais de uso, assim como os aparelhos domésticos, só serviremos ao mundo se atendermos exatamente aquilo que ele espera de nós.

Como conseguiremos nos relacionar uns com os outros se somos, por definição e genética, indivíduos (únicos)?

Eu não penso com o seu cérebro e nem sinto as emoções com seu coração (e vice-versa). Então, se somos diferentes e o mundo não está aceitando isso, de que forma iremos conviver?

Quem vai decidir a religião “certa”? A raça “certa”? A classe social “certa”? Qual a opção sexual “certa”? Ninguém! Porque não existe “certo” e nem “errado” se houver respeito entre as pessoas.

Eu aceito as diferenças e respeito o outro desde que ele não ultrapasse o limite que existe entre o bem e o mal. Desde que o outro não se sinta no direito de decidir minhas atitudes. Desde que não haja guerra, não haja morte, não haja ofensa, não haja crueldade, não haja injustiça, sendo assim a nossa diferença será respeitada por mim. E deveria ser respeitada por todos! Porque ninguém é melhor do que ninguém. Nascemos diferentes, nosso DNA é único, nunca seremos um clone.

Que haja mais respeito pelas diferenças.

Que haja mais tolerância no mundo.

Que haja mais fraternidade uns com os outros.

LUZ (cada vez mais e mais).

2 Comentários

  • luizshigunov

    Foi horrível o que fizeram no jornal. É inaceitável. Eu também acho inaceitável que um jornal possa desrespeitar uma religião e não ser punido pela justiça só porque essa religião não tem a simpatia dos franceses. Quando é um insulto ou desrespeito aos judeus a coisa é diferente. Tem que respeitar a crença das pessoas. Achei um erro gravíssimo o jornal continuar desrespeitando os muçulmanos. Infelizmente mais pessoas inocentes vão sofrer com esse erro.

  • Janyr Gomes da Silva

    Acredito que toda essa intolerancia e toda essa violencia que nos deparamos hoje, em toda parte do mundo,se deva a grande falência dessa instituição chamada “Família”.Muito triste,infelizmente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *