Amizade Quebrada.

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Acho que com o tempo, as experiências, as decepções, as novas crenças, o olhar para trás, o autoconhecimento, tudo isso molda a tal almejada e glamourizada maturidade. E, por conta dessa “moça”, tão cobiçada por todos nós, eu hoje acredito que estamos vivendo um affair e algumas decisões que me eram muito mais dolorosas já são menos cortantes e mais rápidas de curar.

Uma delas é entender que a amizade é um carvalho (falamos disso no texto “O bambu e o carvalho”) plantado na minha essência – de forma tradicional, com os prazeres e deveres inerentes a uma genuína amizade. Se trata de uma relação intensa, com altos e baixos, sorrisos e lágrimas, orgulhos e decepções, que foi feito para durar por séculos e resistir as mais diversas intempéries que encontrar ao longo de sua trajetória.

Entretanto, não basta que somente eu regue e cuide para que ela se mantenha forte, frondosa e resistente, pois, amizade é uma árvore plantada em dois terrenos: no meu e da outra pessoa a quem chamo, com orgulho e consciência da importância da palavra, Amiga. Portanto, as raízes que brotam cá, brotam lá também. Eu rego, cuido, podo, protejo do lado de cá, porém, minha amiga também precisa fazer o mesmo do lado de lá. Porque se não fizermos esse trabalho em parceria, o carvalho não resistirá e secará, se tornando frágil a cada chuva forte, calor intenso e acabará se tornando oco por dentro, vazio, sem vida.

Não flexibilizar esse valor para mim me custou (e sei que continuará cobrando um preço alto) muitas amizades, pois, não sei ser meia-amiga, dar meia-atenção, gostar pela metade, me preocupar de forma fracionada. Eu gosto, cuido, me preocupo, me interesso e sofro por inteiro.

E as pessoas estão se perdendo nas relações humanas, vivendo pelas beiradas, dedicando-se pela metade ou quase nada ao outro. Em contrapartida, essas mesmas pessoas estão sedentas de atenção, de exigências, querendo sempre mais do outro, ao seu tempo, a sua forma de querer, e sem aceitar queixas, por favor!

Nossa! Que coisa doida que a amizade está nos dias de hoje. Deus me livre me tornar amiga pela metade de alguém um dia. E que Ele me livre das meias-amizades que cruzarem meu caminho.

Hoje, aprendi que não preciso manter na minha vida quem não quer permanecer. Aprendi que não preciso manter no facebook só para ser legal. Se uma pessoa me excluí da sua vida, me dá sinais de que a minha amizade para ela é desnecessária, pretere a mim em prol de outro meio-amigo, deixa de regar o carvalho do lado de lá, e, o pior de tudo, só se lembra de mim quando precisa de algum favor, ok ok já entendi o recado.

Por que perdia tanto tempo ficando sentada olhando o carvalho secar, tentando rega-lo lá e cá, como uma louca, não querendo aceitar que não dava mais, acabou, secou? Talvez seja culpa da tal moça, a maturidade, que ainda não tinha vindo ao meu encontro, que bom que hoje estamos juntas. E consigo não prolongar esse sentimento, compreendo que aquela pessoa ficará para sempre guardada na minha memória afetiva, lembrarei da época em que cuidávamos com carinho da árvore da amizade e contemplarei em fotos os belos frutos que ela gerou, mas encaro o fato de que ela não está mais forte, não está mais bela. Então, o melhor a ser feito é cortá-la pela raiz, limpar o terreno, afofar a terra e semear novas sementes para que possam germinar e quem sabe durar para sempre?

Bom, acho que é isso.

Cuide das suas amizades, pois, a seca de sentimentos está matando muito carvalho por aí.

2 comentários

  1. É amiga, sei bem como se sente… eu, ainda me debato por uma dessas amizades, que eu amo muito… mas ultimamente ando meio que cagando e andando sabe?
    Quer me procurar? Sabe onde me encontrar! Tô desse jeito…

  2. Gostei muito deste texto. A leitura ficou fluída, envolvente. Parabéns! 🙂

    Com relação ao conteúdo devo confessar que nunca tive na amizade esse tipo de entrega. Talvez porque tenho muitos irmãos e isso já preenche essa necessidade de se preocupar com o outro que normalmente temos.

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