A homossexualidade e eu.

euHomo

Sabe quando estamos comendo e algo desce mal? Fica entalado. E precisamos beber vários copos de água até conseguir desobstruir a garganta? Então, era bem dessa forma que vinha me sentindo sobre como a questão da homossexualidade vem sendo abordada e tratada nos últimos tempos.

Coisas que vinham me incomodando profundamente e que eu comecei a olhar mais de perto a fim de compreender o outro lado, aquele que quase não tem voz nas mídias, aquele abafado pelos dogmas religiosos, aquele sufocado pela bancada ultraconservadora-evangélica-reacionária que encontramos na Câmara dos Deputados.

Para compreender, comecei a prestar mais atenção no discurso abafado, a ler mais sobre os ativistas que defendem os direitos dos homossexuais, fiquei mais atenta aos noticiários, a forma pela qual os homossexuais são retratados (caricaturados) nas mídias e fui bebendo da fonte da notícia, da literatura, de entrevistas para ir digerindo essa onda de ódio e perseguição que diariamente se apresenta na sociedade brasileira e, infelizmente, em outras sociedades mundo a fora.

No último dia 26 de junho deste ano, nos EUA, a Suprema Corte aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país, e, por conta disto, o Facebook lançou uma ferramenta simples para quem apoiasse essa causa pudesse usar e expressar pintando com as cores do arco-íris sua foto de perfil (acima vocês podem ver a minha) e assim eu e tantas outras pessoas coloriram seus perfis. Imediatamente as pessoas preconceituosas começaram a publicar em suas timelines foto de crianças subnutridas na África em protesto ao apoio que estava sendo dado à comunidade gay. Na hora, me questionei onde estas pessoas homofóbicas estavam esse tempo todo, que ainda não tinham se manifestado contra essa situação terrível da África? Onde elas estavam quando o Boko Haram sequestrou centenas de meninas e até hoje ninguém tem notícias delas?

O que as levam a atacar a quem estava celebrando a conquista da comunidade homossexual com toda essa tristeza, injustiça e tragédia da África? Por que ao invés de comparar situações incomparáveis elas não pensaram em como enviar alimentos àquelas crianças? Criar um manifesto cobrando das autoridades internacionais uma posição sobre as meninas sequestradas? E, então, cheguei à conclusão de que elas não fizeram (e não farão) nada disso porque simplesmente não se importam genuinamente, o intuito ali era apenas diminuir a vitória da comunidade, era apenas uma chance de marginalizar novamente os homossexuais, era a velha mania de apontar o dedo para o outro, pelo simples prazer de criticar.

Diante dessa análise eu vi que a relação que a homossexualidade tem na minha vida, na nossa vida de heterossexuais, é praticamente nenhuma. Afinal de contas, eu posso sair de mãos dadas com meu marido pela rua sem medo de ser agredida. Eu posso me inscrever para adotar uma criança sem medo de ser colocada no último lugar da fila – caso meu cadastro seja avaliado por alguém homofóbico – eu posso colocar minha foto beijando meu marido nas redes sociais e não irei sofrer nenhuma retaliação. Agora, uma pessoa que ame outra do mesmo sexo, que pague os mesmos impostos que eu, que acorde cedo todos os dias para conseguir seu sustento com a mesma dignidade que eu, que ajude o próximo como eu, que tenha uma conexão com a fé e a religiosidade (e não necessariamente com alguma religião) como eu tenho, essa pessoa que se diferencia de mim somente por sua opção sexual, ela não pode fazer nada do que eu posso sem se preocupar em ser ofendida, injuriada, agredida, marginalizada pela sociedade em que TODOS nós vivemos.

É a partir deste ponto que a homossexualidade passa a ter relação comigo: uma questão de cidadania, de amor e respeito ao meu semelhante.

Ninguém tem absolutamente nenhuma relação com a minha vida particular. Ninguém paga as minhas contas. Ninguém é melhor (nem pior) do que eu para me julgar. Da mesma forma que eu não sou melhor (nem pior) que ninguém para julgar, para interferir em sua vida íntima, para dizer com quem ela deve ser relacionar, amar, constituir sua Família.

O meu direito termina, no mesmo lugar onde começa o do outro.

Acho que usar argumentos religiosos é, no mínimo, obsoleto para defender a perseguição aos homossexuais. Dizem que uma das leis divinas fala o seguinte: “Amai-vos uns aos outros como a ti mesmo”. Embora eu não professe de nenhuma religião (por não conseguir me convencer para aceitar de modo inquestionável os dogmas impostos por elas) simpatizo com essa frase.

Portanto, busco ser alguém que ama o próximo, que respeita, que pratica o bem, que não mente, não rouba, não ofende, não maltrata, que busca Deus muito além das paredes de um local intitulado santo. Para mim, fé no sobrenatural é fé na vida, naquilo que não é visto com os olhos, mas sim, sentido com o coração.

Eu tenho a minha própria crença, minha própria fé e sou regida acima de tudo pelo Amor.

Portanto, não julgarei o meu semelhante por sua opção sexual, eu o amarei como a mim mesma, porque o Amor é a forma mais pura e genuína de encontrarmos a paz.

Que no mundo haja mais amor e menos ódio.

Que busquemos mais a paz e fomentemos menos guerra.

Que saibamos evoluir junto com a sociedade, junto com o tempo no qual vivemos, século 21.

Luz na nossa caminhada.

Um comentário

  1. Gostei do texto. Muito bem colocado.

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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