Homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher – A Mulher e a cultura da beleza: a contemporaneidade dos corpos femininos.

A mulher contemporaneidade_RosaLucia

Fui convidada pela Carolina, amiga e querida pessoa, para escrever sobre a Mulher em comemoração ao seu dia Internacional, 08 de Março.

O pensamento foi longe, poderia escrever diversos temas que nos assolam ou assombram enquanto mulheres, tais como: a mulher e o direito de não ser mãe, a mulher contemporânea e seu dilema dicotômico entre a mulher atual e a tal “Amélia que era a mulher de verdade”… Bom, resolvi escolher um tema que realmente está em nosso cotidiano, e a cada dia vem se tornando um verdadeiro avassalador da alma de muitas mulheres, o padrão contemporâneo de beleza feminina.

Citando os autores Baudrillard e Debord (2010), a cultura do capitalismo que busca reproduzir a qualquer custo o próprio cerne deste, marca uma sociedade de consumo e, indo além, a do espetáculo. O corpo torna-se o centro literal do capitalismo de consumo, e indo um pouco mais profundamente, o mais belo e desejado objeto deste consumo.

Reflitamos então: que corpo é esse que necessita desesperadamente encontrar-se em acordo com essa reprodução maciça de consumo? E nos deparamos com a crua realidade, esse corpo é o da mulher. A mulher que ocupou por anos o lugar de objeto de desejo, e agora ocupa outro patamar, o objeto de desejo de um consumismo capitalista e que especula sua relação com sentir-se adequada a estes padrões ou manter-se distante desses e assim ser literalmente expulsa ou aniquilada do mundo social. Vamos aos exemplos que são diversos: se você está “gorda” você não consegue encontrar uma roupa que lhe caiba, daquelas das revistas de moda que encontramos nos salões de beleza, na sala de espera do dentista ou qualquer lugar que você esteja. Corpos que são vendidos como sendo dos reais padrões de beleza que a sociedade aceita e aplaude. O que ocorre é que esta mulher, na procura de uma aceitação e valorização social, vai em busca da então mulher da revista, a da ficção, mulher que não existe na vida real, mas que foi colocada ali (photoshop, dentre outros mecanismos como bulimia, anorexia, etc.), para ser aplaudida, aceita e sobretudo, o “objeto de amor do outro”.

Dentro do que estamos expondo nesse texto, Baudrillard (2010) concebe que as formas de consumo funcionam como agentes de diferenciação, na busca pela recriação da individualidade e da singularidade. Entretanto, ele afirma que o consumidor vive as suas condutas de consumo como liberdade, aspiração e escolha, quando, na verdade, trata-se de um processo de “condicionamento de diferenciação e de obediência a um código” (BAUDRILLARD, 2010, p. 67), revelando que as finalidades de consumo servem à alimentação do sistema.

Esta industria cultural, que vive alimentando e retroalimentando o sistema, através de seus mecanismos de mídia que avassalam dia após dia essa mulher, gera nesta a sensação de que a vida precisa se tornar um prolongamento da ficção. Esse prolongamento promove a formação do desejo a obter tal façanha. Mas será que se torna literalmente aquilo que necessitamos e que nos faz sentirmos mais mulheres? Conduzindo-nos à cultura narcisista de aliança com nosso eu e o capitalismo das leis de consumo, assim, as mulheres são induzidas a consumir e a viver de acordo com o que é transmitido como ideal e desejável para elas pela mídia, o que influencia seu comportamento e seu modo de ser-no-mundo (BORIS; CESÍDIO, 2007, p. 474).

Até quando permitiremos sermos não mais mulheres e sim adornos sociais e culturais? Até onde nos permitiremos permanecer nesse lugar. Se sou magra sou aceita, se não entro no jeans 36, não. Se sou alta sou aceita, se sou muito baixa, não… Ou seja, a sociedade de consumo, aliada à sociedade do espetáculo criaram essa impossibilidade de subjetivação da mulher real: tornar-se então, a bela e magra consumidora de milhares de produtos apresentados pela publicidade na forma de espetáculo midiático. Para Barreto 2009, a subjetividade feminina, nossos desejos enquanto seres humanos, escolhas, imperfeições que literalmente nos pertencem como a todo ser humano, foram comprados.

Acredito que neste século do espetáculo, e das mídias avassaladoras como citei nesse texto, ainda encontram-se mulheres “normais” que lutam por serem quem são, e burlam o padrão imposto pela sociedade. Dessas mulheres é que falo nesse texto, as que dizem não ao modelo da revista e, principalmente, lutam pelo lugar da sua subjetividade enquanto seres humanos e não produtos produzidos para servirem como alimento ao consumismo de uma geração massacrada pela tal cultura da beleza.


Para saber mais sobre a nossa convidada, acesse:

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