A história de meu pai.

Feliz Dia dos

Papai é conhecido por todos os meus amigos por sua irreverência. Mas, na verdade, esse modo engraçado, observado por muitos, nada mais é do que uma faceta da sua filosofia de vida.

Papai escolheu olhar para a vida com bom humor. Mesmo com um temperamento impulsivo e pouco paciente, ele sempre concluí as suas atitudes com humor e amor (essa rima, acreditem, não foi proposital mas coube muito bem na definição de papai, portanto, deixarei ela por aqui).

Há quem diga que algumas pessoas tem sorte, por isso são bem sucedidas. Eu não ponho fé nessa ideia. Talvez por ter aprendido dentro de casa, que a sorte nada mais é do que estar preparado para quando uma boa oportunidade se apresentar.

Mas, já estou indo para o final da história, portanto, permita-me voltar e contar a história desde o começo.

A primeira lembrança que tenho de papai é montando uma cabana de lençóis na sala usando as cadeiras da mesa de jantar e se escondendo lá dentro comigo brincando até que mamãe nos chamasse para lanchar. Depois me recordo dele me presenteando com minha primeira coleção de livros (vinha até com fita k7, pasmem!) e eu admirada olhando cada livro e dando pulos de alegria e abraços em papai. Outro momento bem vivo na minha memória foi em uma Copa, onde ao chegar com a mamãe da casa da vovó meu pai nos aguardava com um bolo delicioso da Sobel (uma doceria bem famosa na minha cidade quando eu era criança) e com a boneca mais desejada por mim (depois da Barbie vale ressaltar), a Risadinha. Nossa eu não me lembro de ter ficado tão feliz com um presente como naquele dia (e olha que eu gosto de ganhar presentes). Eu vibrava tanto e pulava, pulava, pulava de tamanha felicidade e gratidão a papai.

A minha memória afetiva sobre papai sempre esteve associada a alegria com brincadeiras, deve ser por isso que até hoje brincamos tanto. (mamãe chega a dizer que não sabe quem é mais criança)

O tempo passou, eu fui crescendo, mas papai continuava me tratando como a sua bebe (assim que ele me chama ainda [e eu adoro!]).

Algumas situações de conflito de opiniões surgiram porque sempre fui muito questionadora e papai curto-e-grosso, porém, me mostrava que quem ama erra, e, não devemos esperar perfeição de ninguém – somos todos humanos. Portanto, associo essa lição ao fato de eu compreender sempre os deslizes dele (o que faz com que a mamãe acredite que nasci para advogar a favor dele, puro ciúme creio eu).

Meu pai não teve uma infância fácil, nem adolescência e não erro ao dizer que mesmo após a idade adulta a vida ainda não havia facilitado muito para ele na seara de trabalho.

Com pouca instrução escolar, papai atuou como balconista de farmácia por quase trinta anos, ao enfrentar mais de dois anos desempregado e no alto de seus quarenta e poucos anos ele percebeu que precisaria investir em sua formação para retornar ao mercado de trabalho. E então, aos quarenta e cinco anos, retomou seus estudos realizando o supletivo para concluir o ensino fundamental e médio. E perto dos cinquenta anos meu pai ingressou na faculdade de fisioterapia e iniciou sua formação como terapeuta holístico. Hoje, próximo aos sessenta anos meu pai é fisioterapeuta, terapeuta holístico, especialista em gerontologia e para quem acha que ele parou por aí engana-se redondamente, papai está avaliando se sua próxima graduação será em paisagismo ou designer de interiores (porque ele nasceu com talento para decorar ambientes de forma admirável).

Durante esse tempo desempregado papai fez artesanato, foi expositor, camelô, trabalhou em empresa de ônibus, lojista, enfim, ele não se rendeu e nem se acomodou com a situação sempre inovando e buscando alguma atividade.

De todas as lições que aprendi com papai, posso resumir as mais importantes, e, que acredito serem válidas para todos nós. São elas:

  • Honre seu trabalho – não importa se gosta (ou não) daquilo que faz, exerça sua função com excelência, responsabilidade e empenho.
  • Perdoe – independente do que lhe fizerem não compensa cultivar mágoa, ressentimento e/ou dor.
  • Sorria sempre e não reclame – por mais difícil que possa ser a situação que você está vivendo não encontrará a solução reclamando, blasfemando, ficando de “cara” amarrada.
  • Valorize a sua família – porque nos momentos de dificuldades são eles quem estarão ao seu lado para lhe apoiar.
  • Não espere perfeição de ninguém, todos somos passíveis de erros, somos humanos, e, mesmo amando muito podemos magoar alguém, portanto, perdoe.
  • Respeite a natureza – não queira vencer o mar, cuide do ambiente, aproveite um banho de chuva no quintal, ande de pés descalços na grama molhada, caminhe ao ar livre.
  • Brinque sempre – enquanto você tiver ao seu lado quem você ama com saúde, enquanto você tiver saúde, um sustento, um lar e o pão-de-cada-dia você não terá motiva para deixar de brincar.
  • Agradeça aos seus rins  – todas as vezes que fizer xixi porque você não imagina o sofrimento que àqueles impedidos fisiologicamente de fazer isso enfrentam.
  • Tenha fé – não importa o quão complicado esteja, acredite em algo maior, entregue e confie.
  • Seja grato – não ignore tudo aquilo que recebe do universo, agradeça por cada pequena vitória diária. Crie o hábito de agradecer mais e pedir menos.Meu pai superou inúmeras adversidades e hoje merece ser reconhecido por tudo isso (e muito mais que daria para compor um livro).

    Eu agradeço por ter meu pai ao meu lado, peço a Deus muita saúde a ele, e se eu pudesse defini-lo em uma única palavra seria: incansável.

    Papai EU TE AMO!!!!!

    Feliz Dia dos Pais.

4 comentários

  1. Luiz Shigunov

    Lindo texto! Uma grande história sem dúvida. Admiro muito o Carlos por ter essa garra e sempre estar disposto.

  2. Inspirador!!!! Uma grande história, um grande homem – e uma filha muito danada de boa!

    • Caroll Souza

      Obrigada Vivi!!!
      Beijos.

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *