O quanto os nossos pais são responsáveis pelo nosso sofrimento?

HELLO

Era começo da noite, o ar gelado e o tempo úmido conspiravam para silenciar a cidade. Eu terminava a minha aula de yoga quando escutei o diálogo de uma possível cliente com a professora, que perguntava sobre o motivo que a fez buscar à prática, e, então, a futura aluna dizia que era muito mais por questões emocionais do que físicas.

Dizia sentir muita tristeza e tensão no seu cotidiano – aliás a tristeza lhe fazia companhia por toda a sua vida devido a difícil criação recebida de sua mãe. Essa que sempre preteriu as suas vontades para priorizar a dos irmãos – homens – e fez com ela se sentisse rejeitada e, por isto, se rebelara durante toda a sua juventude.

Devido a esse jeito desigual com a qual fora criada ela não aprendeu a pensar sobre suas próprias vontades, fazendo sempre o que diziam ser o melhor para ela. Eu, de olhos fechados, realizando o relaxamento do meu corpo tentava me concentrar em minha respiração, mas sem sucesso, o meu pensamento voltava aquela voz, triste e tão vazia, assim me era sentida a sua fala. Ao levantar-me e sair por ter finalizado a prática, olhei para a dona daquela voz, que carregava uma triste história, e vi seus cabelos prateados, seus olhos lacrimejados e seus rosto ruborizado de estar emocionada diante de estranhos. Senti vontade de abraça-la, porém, não me senti encorajada para tal e apenas sorri e lhe dei as boas-vindas.

Vim embora com a sensação de que ela estava no lugar certo, falando com a pessoa certa e, do fundo do meu coração, desejei que ela realmente voltasse e ali ficasse aprendendo a se conhecer a entender que o tamanho sofrimento que carrega em seus ombros e torna seu coração tão vazio não é de total responsabilidade de sua Mãe, mas, também é dela que se permitiu trazer em seus ombros por toda uma vida o peso do erro que não era dela.

Segui minha volta para à casa sem conseguir desconectar daqueles olhos tristes. Eu me lembrei de todas as pessoas que conheço que, por razões que eu desconheço, mas que sei que há uma razão para isto, nasceram em famílias que não tinham estrutura emocional e foram criadas por pais que eram ausentes, injustos, negligentes, opressores, pais que não aprenderam a ser filhos e mesmo assim ousaram enveredar-se no papel de P A I S de um novo ser. Já conheci filha que demorou mais de vinte anos para ouvir ‘Eu te amo’ de sua Mãe; filho que vê no Pai um contra-exemplo de paternidade e esposo; vi filhas rejeitadas por sua Mãe; vi filho manipulado por seus pais; e de todas essas vidas e criações conturbadas nas quais eu conheci a história cheguei à conclusão que a responsabilidade de tanto sofrimento era, na verdade, deles até o momento em que o filho ou a filha tomaram consciência de que o tipo de criação que receberam não eram aquele que eles mereciam, de amor, carinho, cuidado, proteção, justiça, acolhimento, e, insistiram em seguir suas vidas carregando o peso do erro de seus pais e a couraça da vitimização. Também vi muitos que perceberam que os erros de seus pais não eram deles e fizeram completamente diferente em suas vidas. Libertaram-se dessa couraça e seguraram as rédeas de suas vidas em suas próprias mãos. Dando ao destino a sua marca de coragem, de errar os próprios erros, de fazer diferente de tudo aquilo que fizeram com eles e causaram tanta dor. Eles ousaram ser eles mesmos.

Eu fico por aqui e concluo esse meu pensamento falando para você, que também não teve a criação que merecia, e, ainda hoje, na idade adulta, sofre com isso:

A SUA VIDA É VOCÊ QUEM FAZ.

Não deixe que erros de outras pessoas determine para onde você irá, como deve agir, o que deve pensar, onde deva estar, não seja permissivo com o seu sofrimento e nem condescendente com os erros de seus pais.

Ouse ser quem você deseja ser e encare seus monstros internos, não deixe que eles dominem você. Nós só temos essa vida, portanto, VIVA da maneira mais bonita, harmoniosa e feliz que você puder.

Luz & Paz.

2 comentários

  1. Lucianne

    Lindo texto.

  2. Lindo texto! Poético e filosófico 🙂

    Acredito que os país têm muito responsabilidade sobre a formação dos filhos. Pais problemáticos criam filhos problemáticos.

    E não vai ser facil quebrar esse ciclo, mas ajuda existe. É preciso ter coragem e ir buscá-la.

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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