Mamãe, minha melhor amiga.

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Se a mim tivesse sido concedida a opção de escolher minha mãe, eu só não escolheria mamãe por escolher a vovó em seu lugar (e ela entende isso perfeitamente, pois, não trocaria a vovó por nada nesse mundo).

Mamãe é uma gigante em menos de 1.60m de altura, minha pocketzinha, de cintura fina, mãos com dedos longos e uma cabeça perfeitinha e pequena como ela. Assertiva, determinada, curiosa, dinâmica e meio rebelde ela sempre desempenhou muitos papéis na minha vida.

Professora de crianças e adultos, lecionou por quase 30 anos e perco-me em minhas memórias ao navegar por tantas histórias vividas sendo ela a protagonista. Destas, as que mais se destacam são: as festas de aniversário nas salas de aula feitas por seus alunos e suas mães todos os anos com tudo que tinha direito (bolo, refrigerante, docinho, salgadinhos e lembranças cheias de carinho); suas alunas acima dos seus 60 anos que lhe eram extremamente gratas por terem aprendido a ler e escrever; as tardes de domingo com a sala lá de casa cheirando a álcool das provas mimeografadas para iniciar o período de avaliação na segunda-feira e o plano de aula com capa azul perfeitamente preenchido com a caligrafia exímia (característica da mamãe).

Paulo Freire sempre defendeu a ideia de que educar é muito mais do que transmitir conteúdo e mostrar as letras; é ensinar a pensar sobre aquilo que se lê. Essa foi a forma escolhida por ela ao ensinar muito além do que um alfabeto aos seus alunos, sejam eles crianças ou adultos, mamãe lhes ensinavam a pensar e a se questionarem sobre o conteúdo que lhes eram apresentados.

Mamãe foi minha primeira professora de colégio, do segundo ao terceiro ano do ensino fundamental, onde me ensinou com maestria a arte da leitura, escrita e interpretação de texto. Com ela fui descobrir a maravilha de escrever uma carta e peguei gosto pela escrita, tanto que passei até hoje a escrever cartinhas para amigas, como disse no texto Caixa de Lembranças – Parte I e, aqui permeio essa minha paixão pelas palavras. Durante a semana de provas, mamãe ia fazer as provas na casa da Dinda, também professora, para que eu não tivesse contato com as questões, e, o mesmo rigor que exercia aos seus alunos era igualitariamente aplicado em mim, tanto que o meu primeiro zero recebi dela, em uma prova. Mamãe sempre disse que precisava ser mais exigente comigo por ser a “filha da professora” e, portanto, não podia facilitar em nada. Confesso que algumas vezes isso me incomodava, mas depois passava e hoje sou grata a toda essa exigência que me fez querer continuar sempre aprendendo e a ter o estudo como um hobby que me deixa muito feliz.

Talvez muitos desses alunos, adultos, já não estejam mais entre nós, mas eu tenho certeza que após descobrirem a beleza das letras e do pensamento viveram dias muito melhores.

Foi dela que herdei essa minha curiosidade pelo mundo, por questionar-me sobre os outros, sobre os meus sentimentos e minhas atitudes.

Mamãe sempre me ajudou nos trabalhos escolares, depois nos acadêmicos e até mesmo nos dos cursos de extensão que fiz após me formar, revisora dos meus trabalhos como minha monografia, artigos, o futuro livro, sempre está ao meu lado com seu olhar apurado, suas mãos talentosas e seu controle de qualidade afiado.

Hoje, ela tem outra profissão, esteticista, continuando a cuidar de mim com talento e muito amor. Ela também se descobriu muito talentosa na área do artesanato e desde então é a quem recorro para presentear minhas amigas e para decorar minha casa.

Mamãe sempre foi meu controle de qualidade quanto as minhas amizades, desde criança, sempre que conhecia uma nova amiga e esta passava a ser bem próxima a mim eu apresentava para ela e depois perguntava: “Mamãe, gostou dela?” e toda vez que ela dizia que não ou fazia uma ressalva e eu insistia em manter contato com a tal pessoa (batata!) eu me decepcionava fortemente. Acreditem vocês, ainda hoje apresento as novas amigas para minha mãe avaliar. E, posso lhes garantir, coração de mãe não falha, pelo menos da minha. Então, se sua mãe disser que alguém não é boa companhia, vá por mim, confie na intuição dela e caía fora.

Atualmente, na minha nova área de formação, o coaching, apliquei um teste comportamental na mamãe [que foi minha primeira Coachee] e constatamos que as maiores competências e habilidades que possuo e são responsáveis pelo meu sucesso profissional herdei da mamãe! Ao ler o resultado dela e comparar com o meu rimos muito dessa coincidência e fiquei orgulhosa de saber que além do DNA trago o talento da mamãe em mim.

Minha mãe é a amiga preferida para irmos às compras, bater perna no shopping, ver vitrine. O melhor café da tarde é ao lado dela, sentada no banquinho da casa dela.

Eu nunca tive receio de conversar nenhum assunto com ela, desde a perda da virgindade até a decisão de sair do emprego para viver um ano sabático, eu sei que ela nunca virá com um discurso moralista e apontará o dedo do julgamento para mim. Entretanto, ela nunca será complacente com alguma atitude minha que entenda como inapropriada ou errada. Mas, estará lá para dizer que não concorda comigo, porém, não irá me abandonar.

Dizem que a melhor amiga é assim, né? Uma pessoa que tem afinidade com a gente, que sabe dos nossos gostos, que nos entende só num olhar, que gostamos de passar horas conversando, então, por isso tudo e muito mais, eu posso dizer que a minha MÃE é minha MELHOR AMIGA!

E sou muito grata a Deus por ter me concedido nascer, crescer e viver ao lado da minha melhor amiga.

Desejo no dia de hoje, aniversário da mamãe, muita saúde, alegrias e que a gente possa um dia contar toda a nossa história a minha filha. Eu quero ser uma mãe que nem a minha, com uma pitada da vovó.

FELIZ ANIVERSÁRIO MAMÃE.

TE AMO!

2 comentários

  1. Renato

    Lindo texto, homenagem mais que merecida !!!!

  2. Linda homenagem! Realmente merecida. O texto ficou muito bem escrito e até podemos sentir a sua emoção ao escrever 🙂

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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