Terapia, por que não?

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Eu tenho uma amiga que sempre recomenda a todos que lhe apresentam uma questão comportamental/sentimental o seguinte conselho: “Procure uma terapia.” – e, embora alguns possam achar que o tom é jocoso, não é não. É bem sério.

A terapia é na minha opinião um tratamento de saúde que deveria ser acessível a todos. Quem não tem alguma questão difícil de resolver sozinho em suas vidas? Poucos, creio eu.

Na sociedade em que vivemos a urgência do TER em contraponto ao SER faz com que a pressão da vida cotidiana seja cada dia mais cruel em fazer, comprar, conquistar, ostentar, calar, superar, sorrir e se exibir sempre bem e feliz.

A permissão de sentir-se triste, desanimado e o desejo de recolher-se praticamente foi extinta do manual de “como se viver nos tempos de hoje”. Somos exigidos diariamente a nos mostrar nas redes sociais, e, deixando claro, nos mostrar F-E-L-I-Z-E-S porque o contrário disso é inadmissível.

Eis que nesse ponto questiono: “Quem tem o direito de dizer como eu devo (ou não) me sentir, senão eu mesma? Quem?”

A terapia sempre foi um grande objetivo meu, mas, demorei quase três décadas para conseguir custear esse tratamento [sim, considero um tratamento das minhas angústias e questões mais íntimas]. E assim que comecei a tratar-me consegui acessar lugares dentro de mim que eram evitados e mal-resolvidos por anos. O que ganhei com isso? A minha LIBERDADE em me aceitar como sou, imperfeita.

Eu consegui encarar de frente o que eu tanto temia e saber que tenho o direito de não ser perfeita e conquistei a minha própria compaixão, consegui olhar para os meus erros do passado e não mais apontar o dedo para mim (e me condenar), ao contrário, consegui ser tolerante e aceitar que, naquele momento, foi exatamente aquilo, o melhor que pude fazer por mim.

Você acredita que tratar hipertensão, colesterol alto, glicose, coluna, gastrite e tantas outras doenças é algo banal e desnecessário? Dúvido!

Por que seria banal cuidar da saúde das nossas emoções, dos nossos traumas, das nossas dificuldades sentimentais? Por quê?

A saúde mental é tão importante quanto a nossa saúde cardíaca!

A depressão é uma das doenças que mais crescem na sociedade nos últimos tempos. O estresse alto é outra patologia que nos leva a exaustão física e mental. Então, por favor, não repita mais que fazer terapia é frescura.

Aquelas famílias que possuem um ente querido que sofre de alguma doença como anorexia, depressão, burnout, síndrome do pânico, bulimia e tantas outras sente na pele a dificuldade diária que é a luta pela sobrevivência – tão difícil quanto quem enfrenta um câncer (eu duvido que alguém pense que câncer é frescura).

Fica aqui o meu pedido para que sejamos mais atentos aos sintomas que demonstram a fragilidade das nossas doenças mentais. Preste atenção nos seus filhos, adolescentes, idosos, gestantes pós-parto e qualquer familiar que possa estar enfrentando alguma situação díficil como o desemprego, divórcio, luto, estresse e tantas outras.

Vamos evitar rotular as pessoas como “só sabe reclamar”, “vive desanimada”, “todo estressadinho”, “grosso”, “rude”, “estúpido”, “egoísta”, “preguiçoso” e tantos outros rótulos que são distribuídos gratuitamente por aqueles que veem de fora.

Um adolescente que não saí do seu quarto, não tem amigos, não se relaciona com ninguém pode estar encarando a fase da adolescência com muito mais dificuldade do que se é esperado. Uma esposa que prefere sempre dormir a interagir com o marido e os filhos pode estar se sentindo tão sozinha que o sono é o seu único refúgio das dores de sua alma (e não porque é preguiçosa). Enfim, tantos casos e tantas situações que se não observadas de perto, com carinho, com cautela pode ser taxada com um rótulo qualquer e uma doença agravada por puro preconceito.

Os remédios podem sim auxiliar em muitas doenças psíquicas mas não bastam para levar à cura. A psicoterapia é indispensável no tratamento e na garantia da saúde mental. Portanto, não ignore pequenos sinais.

Para finalizar,

O psicoterapeuta não é um alguém estranho do qual você vai falar da sua vida, da sua intimidade. Ele é um profissional formado e especializado em identificar através da sua fala doenças/questões que você possa estar enfrentando e não se deu conta ainda e se sente perdido no meio do turbilhão de pensamentos diários. Permita-se deixar ouvir por quem, realmente, pode lhe ajudar a sair dessa situação e ter uma vida feliz consigo e com os outros.

Livre-se da angústia, da ansiedade excessiva, dos medos, dessa profunda tristeza e conheça as suas raízes.

Luz, Sabedoria, Coragem & Paz.

4 comentários

  1. Lucianne

    Perfeito. Ouvido de mãe é muito bom, ouvido de amigas é muito bom. Mas não há melhor pessoa para ajudar que um profissional. Parabéns pelo post.

  2. Excelente texto! É preciso falar mais sobre isso para que o preconceito diminua. Tem tanta gente sofrendo com problemas emocionais e que poderia estar vivendo uma vida muito melhor se procurasse ajuda de um profissional. Um psicólogo tem as ferramentas adequadas para identificar e tratar os problemas.

  3. Show de texto… concordo plenamente…
    Heldon.

    • Caroll Souza

      Obrigada Heldon. O seu site é bem legal.

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