Laços de Família

A força das palavras de uma mãe.

Eu acredito que todos nós nos lembramos de alguma palavra dita pelas nossas mães. A palavra de uma mãe tem poder – assim diz a crença popular.

Nos últimos tempos, venho aguçando a minha perpepção para as relações com crianças (sejam da minha família ou desconhecidas). E, em uma dessas minhas observações pela vida, tive a infelicidade de presenciar duas situações lamentáveis e bem tristes.

Primeiro episódio:

Ocorreu no dia da última eleição, em outubro deste ano, cheguei à escola onde meu marido foi votar e sentei do lado de fora, no pátio, aguardando a volta dele. De repente, me chamou a atenção uma menina por volta dos seus nove ou dez anos com um semblante tristonho sentada ao lado de sua mãe que nutria o seguinte diálogo com uma senhora que acabara de chegar:

A – Mãe da menina: “Oi como você está? E a sua filha?”
B – Senhora recém chegada: “Ah eu tô bem. Vou ser avó, sabia não?”
A – Mãe da menina: “Sério!? Não acredito! Quantos anos está tua filha?”
B – Senhora recém chegada: “Pois é. Ela tá com quinze.”
A – Mãe da menina: “Ih! Pior fui eu que fiz essa merda com treze.”
B – Senhora recém chegada: “Tu teve filha com treze!?”
A – Mãe da menina: “Foi. Quando eu era nova minha mãe me deu pra minha vó me criar, aí ela me deixava fazer tudo, daí quando fiz treze minha mãe me panhou de volta e me levou pra morar com ela, disse que eu era muito nova e me prendia em casa. Mas, eu me revoltei e saía mesmo assim. Ela me panhava de surra e eu fugia de novo até que fiz essa merda aqui com treze anos. Minha sorte é que essa aqui é idiota, não faz nada, é uma lerda, pelo menos isso.”

Detalhe: ao dizer “…essa merda aqui…” a Mãe virou-se para a sua filha, a menina sentada com olhar tristonho ao lado, e, portanto, a “merda” referia-se a própria filha dela! A quem ela depois descreveu como “idiota” e “lerda”.

Segundo episódio:

Estava no banheiro da rodoviária e ao entrar presenciei Mãe e filha (que deveria ter em torno de doze anos) discutindo, eu não entendi muito bem o que falavam. Fui ao banheiro. Quando saí e fui lavar às mãos ouvi:

C – Mãe: “Ó garota lerda! Presta atenção! Não tá vendo que a moça quer usar o banheiro! Saí daí sua idiota!” [e deu um empurrão na menina]
D – Filha: [silêncio]
C – Mãe: “Olha lá! A moça saiu do banheiro sua besta, para de ficar se olhando no espelho que nem uma idiota e vai logo. Ai garota tu me dá um ódio. Oh peste de garota! Vai logo.” [um tapa no ombro da menina e outro empurrão]
D – Filha: [silêncio]
C – Mãe: “Não demora, hein! Senão eu vou te quebrar! Sua idiota!”

Eu saí do banheiro da mesma forma que saí da escola, tentando ao máximo não julgar e controlar a raiva misturada com indignação que tomavam conta de mim. Confesso: não consegui, tanto que estou escrevendo esse texto só agora.

O Dr. Augusto Cury diz que estamos tornando as nossas crianças doentes de tanto que a sobrecarregamos de informação e por não ensinar-lhes a como lidar com suas emoções.

Eu concordo com ele em gênero, número e grau. E diante de cenas tão violentas e absurdas como estas que presenciei eu temo pelo nosso futuro: se hoje a intolerância já está fomentando guerras, mortes, violência em cima de violência, imaginem no futuro onde essas meninas se tornarão mulheres que não receberam nenhum valor humanitário daquelas que lhe são a pessoa mais importante e o referencial de mulher, suas Mães.

  • Que mundo será esse?
  • O que leva essas mulheres a destratarem e serem tão violentas com suas próprias filhas?
  • Por que se tornaram mães?
  • Aonde foi parar o amor maternal? Será que algum dia sentiram? Duvido.

Eu fico chocada com essas cenas e tenho uma vontade grande de sacudir essas mulheres pelos ombros e perguntar: “Você está se escutando?”

Ninguém pede para nascer. A escolha de ser Mãe é da mulher e não da criança, portanto, se você fez essa escolha tem a obrigação de dedicar o seu melhor, dar amor, acolhimento, compreensão e valores morais e humanos. Se não quiser dê para a adoção, entregue ao Juizado de Menores, não é crime [veja no link ao final do texto] dê a criança a chance de ser escolhida por alguém que esteja disposto a doar-se e a criar um ser humano feliz com dignidade e respeito.

Nenhuma mãe (e nem ninguém) tem o direito de tratar com tanto desrespeito e violência verbal (e física) uma criança. Ser seu filho ou sua filha não significa que é sua posse.

Pense muito antes de ser mãe, se você não tiver esse desejo respeite-o e não se torne mãe, por favor, faça isso pela futura criança e por você.

Nossas crianças não aprendem com lições de moral, elas aprendem observando os exemplos que recebem daqueles que são responsáveis por ela. Então, fale menos e aja mais, com mais amor, mais respeito, compaixão e humildade.

Cuidemos cada um de nós de nossas crianças.

O caminho é bem fácil: trate-as da mesma forma que gostaria de ser tratado.

Luz, Amor e Sabedoria.

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Link: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/81245-cnj-servico-como-proceder-para-entregar-uma-crianca-a-adocao

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