Amizades dissolvidas.

 

Sabe aquela sensação de do nada olhar em volta e se dar conta de que não tem nenhum amigo por perto? Eu não sei se você já experimentou isso, mas eu, nos últimos meses, sim.

De repente, olhei em volta e vi que ninguém mais estava próximo, íntimo, convivendo comigo. O telefone sempre silencioso. As redes sociais com um comentário ou outro. E quando eu mandava alguma mensagem no whatsapp as respostas eram sempre triviais, sem nenhuma conexão. Fui percebendo que as amizades que eu tinha estavam se dissolvendo, não é que deixaram de ser amigas, simplesmente, a amizade foi dia após dia se dissolvendo como areia por entre os dedos das mãos.

No começo estranhei, mas depois tudo começou a fazer sentido para mim e me resignei diante da situação.

Com a maternidade muita coisa muda em nossas vidas, a começar pela nossa mentalidade, nossos pensamentos, nossas prioridades, passamos a perceber o mundo com um olhar mais crítico, sensível e dói reparar que aquelas pessoas que estavam sempre ali, quando perceberam que eu estava mudando se afastaram. Me senti aquela bolsa velha que depois de nos acompanhar diariamente para tudo quanto é canto, fica velha, rasgada, desbotada e acaba esquecida lá no fundo do guarda-roupa.

É curioso perceber que tudo que eu imaginava que ocorreria comigo após a maternidade não aconteceu. As amigas que antes de engravidar falava que seria a “tia Fulana”, “tia Beltrana” simplesmente nunca foram visitar nem a mim e nem a minha filha – elas estavam muito ocupadas vivendo a própria vida e não tinham interesse em ir encontrar com a velha-amiga-bolsa-desbotada.

Eu optei por não receber visita nos primeiros meses de vida da minha bebe por recomendação da pediatra e por acreditar que seria o mais prudente para a minha filha. Muitas pessoas não entenderam e mesmo quando eu expliquei os motivos de não receber visita para a minha filha, mas falar que eu estava disposta e animada para sair com as amigas, ninguém se manifestou. Mais uma vez a sensação de bolsa-velha-desbotada-no-fundo-do-armário tomou conta de mim.

Levei esse assunto para a terapia e lá compreendi que isso era normal. Quem tinha mudado era Eu e não os outros. Uma Carolina, Mãe estava nascendo e aprendendo a olhar para a vida desse novo lugar, da maternidade.

Pouquíssimas foram as amigas que se lembravam de mandar uma mensagem perguntando como eu estava, respeitando as minhas escolhas de maternar, indo tomar um café comigo no shopping e nos visitando quando eu sentisse que era o momento da minha filha receber visitas. Para ser bem franca, esse número não preenche os dedos de uma única mão!

E eu que vivia rodeada de pessoas, que ouvia as lamúrias de tanta gente sobre os seus problemas no trabalho, com o marido, o pai, o namorado, o filho, de repente, percebi que não era mais importante para ninguém. Na real, eu acredito que nunca fui. Era apenas conveniente, fácil, cômodo e acessível para elas.

Tristeza? Bateu só até entender que isso era normal. Que o grande erro era ter me permitido viajar em minhas ilusões de que as minhas “amigas” seriam as “tias” que a minha filha teria, já que sou filha única e não tenho tias genéticas para apresentar a minha filha.

Mais uma vez o meu erro foi esperar que os outros agissem como Eu agia/agiria, pois, sempre festejei a chegada dos filhos das minhas amigas, acompanhava a gestação o mais próximo possível, compreendia o momento delas de se recolherem durante a chegada do bebe, ia visitar, queria me manter a par desse novo momento de suas vidas.

Ah Carol, boba, sonhadora e ingênua como sempre….

… ou vaidosa demais, se achando tão importante para os outros como elas eram para você.

Enfim, vida que segue.

Eu hoje, quero falar para você que talvez esteja grávida ou puérpera e se sinta assim também estranha e isolada na ilha da maternidade, aceite. A vida de quem mudou foi somente a sua. As suas amigas continuam vivendo a vida delas normalmente, portanto, não espere que elas compartilhem das suas dores e nem das alegrias.

Maternar é lindo, solitário e difícil de aprender.

Para aquelas amigas que continuaram ao meu lado, meu MUITO OBRIGADA.

 

Um comentário

  1. Dinah Dantas

    Quando alguém se casa e tem filhos, a tendência é o afastamento dos “amigos”.
    Existe o entendimento que a vida do casado andou para a frente.
    Essas amigas, inclusive as que lembraram, não querem sentir que ficaram para trás, nem “atrapalhar” seu casamento, e pode ser um fim de um ciclo.
    Contudo, com o tempo vem a escolinha, os coleguinhas e os pais/avós, as brincadeiras com outras crianças da vizinhança/balé/inglês, e outro círculo de amizades começa.

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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