Maternidade vs Amor Maternal: a grande diferença.

O amor que senti pela minha filha quando descobri que estava grávida só aumenta a cada dia. Mas, a doce ilusão que eu tinha sobre a maternidade só se desfaz a cada nova fase que ela passa.

Eu sabia que não era fácil cuidar de um outro serzinho, já havia ajudado a minha mãe a cuidar dos meus primos quando nasceram, então, eu tinha uma ideia – só ideia mesmo…rsrs.

Não dormir é de praxe, e, no final da gestação eu já não tinha um sono bom mesmo. Então, quando ela nasceu e acordava a cada 2, 3 horas para mamar eu fui me adaptando com o tempo. Até que chega a fase de acordar toda hora, devido a um salto de desenvolvimento ou crescimento, e, eu que achava que estava adaptada passo por tudo novamente.

Depois vem a fase de cuidar das roupinhas separadas (fiz isso só até ela começar a engatinhar, depois disso passei a jogar tudo na máquina junto com as roupas de casa). Um saco!

Aí entramos na fase da introdução alimentar e achamos que vai ficar super fácil agora, e, adivinhem só? NÃO fica!

Vale destacar que eu sempre detestei todo serviço doméstico, embora saiba fazer (porque mamãe ensinou muito bem) eu não gosto nenhum um pouco.

O que menos gosto é justamente COZINHAR!!!! Além de achar que a minha comida não é gostosa, eu não curto ficar um tempão em pé descascando, temperando, provando, cozinhando etc etc etc

Masssssss, como faz quando o nosso bebezinho entra na fase de introdução alimentar? Faz comida de verdade, uai!

Como se não bastasse, entra na fase de quererem comer com as próprias mãozinhas, e, com isso, vai comida por toda cozinha. E você tem que limpar isso 4x por dia (café da manhã, almoço, lanche da tarde e janta)

Para quem nunca gostou de cozinhar, essa parte é o Ó!

Mas, a qualidade da alimentação dela faz parte do amor que sinto, portanto, lá vamos nós aprender receitinhas, descascar todo dia, testar temperos, dar preferência a alimentos orgânicos, falar mil vezes para os outros que ela não come sal, nem açúcar até dois anos, nem leite da vaca, nem uso óleo de soja no preparo.

Eu que escolhi pausar minha carreira corporativa, para empreender em casa, e, assim ficar responsável por cada etapa da criação dela, me deparei com uma realidade muito mais trabalhosa do que imaginava.

Os momentos que perco a paciência com ela são sempre os mesmos: hora das refeições, em que ela quer brincar com a comida, cuspir tudo no chão, passar comida pelo cabelo, pela barriga e tudo mais…. tem dias que come muito bem, tem dias que nem duas colheradas come.

Eu leio muito o pediatra Dr. Carlos Gonzalez e ele sempre explica que as mães se frustram porque elas acham que os filhos tem que comer o que elas querem e acham que eles devem comer, mas, na realidade, quem sabe do tamanho do apetite no momento é a criança. E precisamos aprender a respeitar os limites da criança.

Mesmo lendo e estudando muito, sou humana, portanto, erro. Conversando com a pediatra dela sobre a minha irritação quando ela cospe tudo ela me explicou que isso é normal. Às vezes, a criança não gostou do sabor, da textura, da combinação ou já se alimentou bem na refeição anterior e não está com apetite no momento. Deu dicas para tentar distrair, ir para outro cômodo, levar um brinquedinho para a cadeira, e, tentar novamente, se ela continuar rejeitando, aceita. E, na outra refeição, tenta compensar com mais frutas e legumes.

É o que eu faço. Agora, o que realmente me ajudou a conquistar mais paciência foi a dica de uma mãe, ela falou que é muito fácil criar paciência e tolerância nesses momentos quando você pensar que o seu filho está ali, em casa, de frente para você saudável, esperto, independente brincando com a comida, e, nesse exato momento tem muita mãe com os seus filhos internados, se alimentando por sonda, ou, quem não tem nada para oferecer e escuta o choro de fome dos filhos sem poder fazer nada. Ou mães que perderam os seus filhos e dariam a própria vida para estar vivendo esse momento.

Isso soou como um soco no estômago. Pensei o quão desnecessária era a minha impaciência, quão ingrata eu estava sendo com a vida. E, respirando fundo, eu respeito o momento dela, brinco, limpo e falo para mim mesma que está tudo bem.

Absorver toda a demanda que a gestão de uma casa gera, mais as responsabilidades da criação de um novo ser, mais as atribuições da carreira, mais tudo que temos que fazer não é fácil, chega um momento que pesa. Mas, nesses momentos lembre-se que nós não temos que dar conta de tudo SEMPRE, precisamos ouvir o nosso corpo e quando ele estiver pedindo PARE, obedeça. Pare. Descanse. Tire um cochilo. Leia. Escreva. Assista um vídeo motivacional. Olhe para o seu filho e agradeça por tê-lo aí ao seu lado, saudável, com vida, sapeca e conecte-se com essa força tão profunda e transformadora, que é o Amor Maternal.

Para concluir, um lembrete que sempre uso para mim: eles não serão crianças para sempre, não irão morar contigo para sempre, não irão requerer o seu colo e a sua atenção para sempre. Eles crescerão e seguirão o próprio caminho e você terá de volta o seu tempo todinho só para você. Então, aproveite e curta cada minutinho junto.

O Amor de Mãe é para sempre, agora o trabalho da maternidade não.

 

Um comentário

  1. Renato Lima

    Ótimo o texto, parabéns !!! Você está sendo uma supermãe !!!!!!

E então, gostou? Me diga aqui no comentário.

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