Conversas em tempos de Pandemia

Estamos todos fora do ar.

 

Por aqui, este é o quarto domingo da quarentena.

E você? Está quantos dias em quarentena?

A sensação que eu tenho é de quando a programação da televisão saía do ar e ficava essa imagem do texto de hoje e um chiado apenas, você se lembra?

Eu tinha por volta de uns 7 ou 8 anos e ligava a televisão e via essa imagem ficava sentada na frente dela pensando “quando vai começar?” com o sentimento de que o dia só começaria no momento em que o primeiro programa do canal entrasse no ar. Eram momentos intermináveis… me sentia como se só eu no mundo inteiro estivesse acordada esperando o dia começar. Até que o programa começava e eu ouvia o meu pai dizer “bora agitar a vida!” e então o dia começava e eu tinha a sensação que a vida voltava.

Me sinto assim nessa quarentena, com a sensação de que quero começar a agitar a vida, que insiste em ficar fora do ar.

Mas, a diferença é que hoje, com quase 40 anos, a ilusão daquela menina não funciona mais, e, bem diferente disso existe a consciência do caos e de que não há nenhum prazo certeiro para projetar. Viver um dia de cada vez. Perceber o aqui e o agora. Agradecer por cada pequena-grande vitória do dia a dia: acordar, ter saúde e o amparo dos meus.

Parece simples, pequeno, trivial, mas não tem nada disso. O simples fato de estar em quarentena é um GRANDE privilégio, muitos não tem. Seja porque trabalham em atividades essenciais ao combate da pandemia (como todos da área da saúde, os garis, polícia, frentistas, atendentes de mercados, motoristas etc) ou porque são informais e precisam sair às ruas para ganhar literalmente o pão-de-cada-dia.

Só por ter a possibilidade de estar em quarentena já precisamos agradecer.

A ilusão da menina que não sabia que toda a programação da TV começa na hora marcada, hoje esmagada pela intelectualidade da mulher que tem consciência que vivemos uma crise nunca vivida no último século, ainda busca um refugio na fé em Deus e no Universo, com a consciência de que a vida é impermanente e que superaremos esse momento difícil, sentir tristeza, medo, raiva, fragilidade também habitam os nossos corações e é natural nos sentirmos assim, somos humanos, não máquinas.

Hoje, uma amiga me lembrou disso, e, acalentou um pouco o meu coração.

Eu acredito que aquela programação que estávamos acostumados a assistir não voltará mais porque aquela realidade está fora do ar para sempre. Mas, a intelectualidade e a maturidade também trazem coisas positivas: uma delas é a certeza de que novos tempos surgirão, uma nova consciência coletiva nascerá, e, há a esperança de ter uma programação muito melhor, e, uma nova era com mais solidariedade, mais união e justiça entre todos os povos dessa Terra.

Fico por aqui cuidando da minha menina, esperando que essa nova programação entre o quanto antes no ar para todos nós.

Luz, Fé, Cura, Amor e Paz para cada um de nós!

Vai passar!!!

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *