Conversas sobre a sociedade

Sejamos Antirracistas todos os dias em todos os lugares.

Acredito que vocês estão cientes dos movimentos populares que estão rolando pelo mundo e aqui no Brasil contra o racismo.

Então, hoje, quero aproveitar e trazer para a nossa conversa a necessidade de mantermos esse debate sempre, em todos os lugares, até que a sociedade se torne por inteira antirracista.

Começo explicando que ser antirracista requer conhecimento da nossa história, entender o processo de escravidão que formou o nosso país e que se estendeu por séculos. (e na real, ainda existe, só que com outra roupagem)

Nós, negros e negras, somos a maioria da população brasileira e mesmo assim, se a gente começar a reparar em quem são os chefes nas empresas, os docentes nas universidades, os alunos das faculdades, as modelos das capas de revistas, as protagonistas das novelas, dificilmente veremos uma pessoa negra, são os brancos que ocupam esses lugares de destaque, de melhor salários, de reconhecimento e de valor na sociedade brasileira.

Com a pandemia, vemos que quem mais morre são as pessoas negras, pois, são quem mais necessitam do SUS, mais tem comorbidades e vivem em situações habitacionais vulneráveis. O vírus é democrático, mas as condições nas quais nos encontramos negros e brancos, nos colocam em situações distintas e desiguais. [Clique aqui e leia a matéria completa sobre esse tema.]

É importante então que passemos a estudar mais a história do nosso país, pois, somente tendo consciência do histórico de violência, de submissão, de desvalor e de marginalização no qual a população negra foi e continua sendo submetida é que teremos a real ciência do brutal abismo que nos constitui enquanto nação e só assim entenderemos porque o racismo é estrutural, está na base da sociedade e mesmo não querendo, somos todos racistas, até o momento em que passamos a entender esse nosso berço de escravidão e passamos a combater o racismo com novas atitudes.

Precisamos buscar referências seguras de informação sobre o racismo que nos ensine a não mais perpetuar essa violência e consigamos mudar essa realidade. [Aqui compartilho um bom caminho para começarem a entender conheçam as publicações da Djamila Ribeiro e as ações do ID_BR]

Manifestar nas redes sociais é bom, mas não é o bastante para transformar a sociedade. Precisamos conhecer a nossa história, ensinar as nossas crianças, reivindicar espaços na sociedade de merecimento a todos e todas, independente de sua cor, reconhecendo enquanto humanos TODA a nação brasileira. Protegendo a todas as crianças, sejam elas brancas ou negras, não permitindo que acessem sozinhas elevadores por aí. Precisamos incentivar nossos jovens a estudar, a ingressarem no ensino superior e dar a eles espaços no mercado de trabalho ao se formarem. Devemos exigir a presença de professores negros e negras nas universidades, exigir a adoção de autores e autoras negros nos planos de ensino, valorizar o conhecimento histórico e acadêmico da população negra. Precisamos exigir representatividade nos espaços de destaque porque somos todos capazes e a nossa cor não nos limita e nem nos diminui.

Não ser racista não basta.

Manifestar nas redes sociais não basta.

Aceitar somente brancos dando aula nas universidades não basta.

Achar normal não encontrar pessoas negras nas empresas atuando fora dos serviços de limpeza não basta.

Precisamos nos incomodar com essa invisibilidade permanente na sociedade brasileira em relação a população negra nos lugares centrais e não marginais.

Precisamos ser antirracistas dia e noite, até que essa estrutura se desmonte e possamos reconstruir uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

Não haverá ordem e muito menos progresso, enquanto formos uma sociedade racista.

Faça a sua parte.

#simaigualdaderacial

#sejaantirracista

Um comentário

  • Luiz Shigunov

    Excelente texto. Não conhecia esse termo antirracista. Agora entendo que não basta não ser racista. Temos que fazer mais para acabar um dia com o racismo.

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