Conversas em tempos de Pandemia

Pandemia e o impacto emocional nas crianças.

Desde fevereiro deste ano uma atmosfera de medo da morte tomou conta do Brasil. Tememos não apenas pelas nossas vidas, mas, e, principalmente, pela vida daqueles que amamos.

Os noticiários só falam do Covid-19, até desenhos estão falando da importância da lavar as mãos, ou seja, nas mídias, nas conversas de casa, nas lições da escola, todo mundo só fala no novo coronavírus e na quarentena, sentida pelas crianças e adolescentes de forma muito dura, pois, os retira de um ambiente social que lhes é muito precioso: a escola.

Por isso, resolvi trazer para vocês alguns dados sobre os danos emocionais causados pela quarentena/pandemia em um estudo realizado com 320 crianças e adolescentes na China, onde tudo começou:

  • 36% apresentou alta dependência dos cuidadores (o popularmente dito “grude”);
  • 32% apresentou desatenção;
  • 29% apresentou preocupação;
  • 21% apresentou problemas de sono;
  • 13% apresentou agitação;
  • 14% apresentou pesadelos, e
  • 18% falta de apetite.

Percebam que por lá ainda não tem nem 1 ano que a quarentena acabou (alguns bairros na capital, em Pequim, voltaram a ter medidas de isolamento social ao detectarem 45 novas pessoas contaminadas no mercado municipal) e os pais dessas crianças e adolescentes já puderam notar essas mudanças de comportamento.

Agora, pare e pense comigo: isso foi na China, imagina aqui no Brasil com os pais perdendo os empregos, grande parte não tendo renda para colocar alimento em casa, crianças e adolescentes que não possuem internet para manter o estudo à distância, pensem nas crianças e adolescentes das periferias brasileiras, na realidade de vulnerabilidade social que elas são submetidas diariamente muito antes de pandemia!!!

Portanto, SIM as crianças e adolescentes podem não ser grupo de risco para o novo coronavírus, mas são muito vulneráveis emocionalmente a pandemia e esse constante estresse que todos nós estamos vivendo.

Amigas minhas relatam que percebem seus filhos de 7, 8 anos mais carentes e não entendem o motivo, tendo em vista, que elas estão trabalhando de casa, logo, ficam o dia inteiro juntos.

Mas, o que elas não pensam é nesse cenário invisível de medo, ansiedade, angústia, estresse que nos envolve todos os dias desde quando essa quarentena começou. O medo de sair, a mudança de hábito tendo que usar máscaras, álcool gel, não poder sair correndo e tocando nas coisas – que é o comportamento normal das crianças – o voltar para casa e tirar logo os sapatos, lavar bem as mãos, isso tudo é estressante para nós, imaginem para as crianças.

Pensem agora nos adolescentes, 12 a 18 anos incompletos, que estão no auge da sua vida social: andar com os amigos, conversar, imaginar o futuro, viver esse momento de transição da infância para a vida adulta e de repente precisam ficar confinados em casa, longe dos amigos da escola, só conversando por rede social, sem ter aquele momento de privacidade para trocar as confidências de adolescentes com o seu ciclo social.

Então, chega a pior parte: crianças e adolescentes diariamente confiando observando o temor no semblantes dos pais, das mães, a saudade dos avós e ouvindo pelas chamadas de vídeo como está sendo difícil ficar sem vê-los. Os noticiários trazendo a cada instante um número alarmante, desesperador, dramático e apavorante de mortes todos os dias.

Se coloca um pouquinho no lugar da sua criança e do seu adolescente, você em toda a sua história NUNCA passou por nada parecido com isso, nós nunca passamos. Essa é a primeira pandemia que o Brasil contemporâneo enfrenta, a gente precisa entender isso para poder acolher os medos, a insegurança, a carência a tristeza dos nossos filhos e nossas filhas.

Eu quero muito pedir a você para ser mais paciente, para abraçar mais, dar mais afeto aos seus filhos e suas filhas. Eles não possuem o entendimento que nós adultos temos, e, mesmo tendo ainda sentimos medo, tristeza, raiva, frustração e estamos ansiosos e ansiosas para que tudo isso passe logo. Não é o momento de cobrar, de ser exigente, de punir. É o momento de cuidar, acolher, conversar, reconhecer as dificuldades, admitir as nossas próprias vulnerabilidades e cuidar das nossas crianças e nossos adolescentes.

É o momento de assumir esse papel de CUIDADOR mais do que nunca.

De olhar em volta e ver se tem algum pai ou mãe que está passando por dificuldade para alimentar seus filhos e, se puder, estender a mão e ajudar.

Essa pandemia não pode passar em vão. Precisamos aprender. Evoluir. Despertar para uma nova consciência mais humana e menos egoísta.

Desejo que essa semana seja melhor para nós.

Luz, Saúde, Paz e Cura para a Terra e sabedoria a toda humanidade.

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Fontes utilizadas nesse texto em 14/06/2020:

2 Comentários

  • Janyr Souza

    Realmente é isso que se passa com as crianças. Percebo isso aqui no prédio onde moro e por incrível que possa parecer, é como se não morassem crianças aqui. O play está fechado e nas áreas comuns dificilmente vemos ou ouvimos vozes de crianças. Isoladas em casa sem poder brincar livremente com seus amiguinhos é com certeza desastroso para elas. Amor, carinho e paciência, muita paciência devemos ter para que elas possam sair disso bem emocionalmente . Parabéns, pela sensibilidade de alertar para uma situação talvez despercebida por muitos pais .

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