Conversas de Mãe

Cartas para a minha filha.

Eu resolvi iniciar a escrita dessas cartas e torná-las públicas, em meu blog, porque acredito que talvez outras mães se animem com a ideia.

Nem toda mãe é igual. Aliás, ninguém é igual. Mas, sobre as mães, existe no imaginário popular o mito de que todas são amorosas, dedicadas, amigas, conselheiras, parceiras e tem na maternidade a sua mais importante missão na vida. Pura lenda.

Existem mães que abandonam, que queimam, batem, violentam, controlam, subjugam, insultam, agridem de forma psicológica e são verdadeiros algozes de suas crias. Sim, queira você ou não, essas mães existem.

Me limito a elas, as mães, porque é desse lugar que escrevo essas palavras. Contudo, sabemos que existem todo tipo de figura familiar que exerce esse papel de algoz de nossas crianças e adolescentes.

Voltando ao tema, optei por escrever essa a cartas porque quanto mais estudo sobre a existência humana na perspectiva da fenomenologia, mas eu vejo o quão ilusório é acreditar e viver em prol do futuro. O amanhã é tão incerto quanto eu ser a ganhadora da próxima loteria.

Por isso, vou escrever hoje para ela sobre o que quero lhe falar em cada uma dessas situações. Assim, diminuo a minha ansiedade sabendo que está registrado aqui, escrito e publicado e, se por acaso, aqui eu não estiver no futuro, alguém mostrará para ela depois.

Por outro lado, penso que Mãe é uma parte tão fundamental e vital da nossa vida que a gente, enquanto filha sabe disso, mas, no papel de mãe nos deixamos levar pelas responsabilidades do cotidiano e nem sequer paramos para pensar em como será bom para as nossas crianças ter registrado o nosso amor por elas. Nem sempre conseguimos falar tudo. E no dia em que partirmos, essas cartas serão como um toque de carinho nosso em seus rostos. (Então, se anima você aí também, vai colega..rs)

Espero ter saúde e uma vida bem longa, ser uma pesquisadora e escritora centenária, mas, mesmo assim quero escrever tudo o que desejo que ela se lembre desde agora, por que esperar!?

Todas as cartas serão numeradas e uma situação específica apontada, claro que muito disso vem de vivências pessoais, e, como a gente sempre diz: “Não quero que minhas filhas sofram o que passei.” – outra ilusão nossa de cada dia. Mas, quem nunca, né?

Vamos começar…

Carta 01 para minha filha: quando a mamãe diz NÃO.

Sabe filha, eu sei que você não gosta de ser contrariada. Fica brava, grita, franze a testa e cerra  as mãos. Isso é natural, ninguém gosta de receber um NÃO.

Mas, saiba que todos nós na vida receberemos muitos nãos, e, acredite, poucos serão aqueles que lhe darão uma negativa por querer o seu bem, como a mamãe quer. Então, melhor aprender a dar uma resposta menos agressiva (e reativa) e mais inteligente (e racional) para essas situações.

Limite é o que um NÃO significa. A vida é cheias deles. Alguns podemos ultrapassar, outros apenas aceitar.

Por não querer que você sofra a cada limite que a vida lhe apresentar a mãe já vai lhe treinando em relação a isso.

Alguns especialistas dizem para evitarmos frases iniciadas por não, pois, o cérebro reage fazendo exatamente o que se deseja evitar. Mas, a vida não aprendeu com esses especialistas e o N-Ã-O é o que mais escutará em sua vida, minha querida. Portanto, vamos pensar em novas formas de responder a isso?

Você pode simplesmente…

Respirar…

Parar…

Processar…

Elaborar uma boa resposta e…

  • Responder em vez de reagir (que é uma atitude instintiva, geralmente, agressiva e potencial causadora de problemas e desentendimentos).
  • Avaliar se há como negociar essa negativa também é uma boa alternativa. Se positivo, tenha sólidos e bons argumentos para tal. Se negativo, aceite e não se apegue e nem gere rancor. Tudo na vida passa.
  • Refletir será que você precisa mesmo disso? E só será possível por esse caminho, filha? Será que não há outros melhores? Pense bem.
  • Evite falar o que vier a cabeça.

Quase tudo na vida é 50% Sim e 50% Não. Lembre disso antes de negociar, pedir, reclamar qualquer coisa. Desse jeito você conseguirá equilibrar melhor as suas expectativas (e diminuir o impacto da frustração).

Se esse Não for a mamãe que falou, vem cá, dá um abraço apertado e nunca se esqueça que a mamãe muitas vezes diz um não para lhe proteger.

AMTAMPSJJ ♡♡♡♡♡♡

Um comentário

  • Luiz Shigunov

    Que ideia excelente! Parabéns pela iniciativa.

    Gostei muito da primeira carta. Eu tento dizer poucos não. Mas como é difícil! Ainda mais nessa fase onde quer fazer tudo que me parece perigoso demais: subir na mesa, ficar em pé na cadeira, pular de cabeça nas almofadas do sofá….

    Tento limitar os nãos a questão de segurança, mas mesmo assim são muitos nãos. Eu já coloquei na minha cabeça que é melhor dizer um não do que levar ao hospital.

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