Conversas sobre a sociedade

Minha primeira vez sem votar.

Amanhã, 15 de novembro de 2020, eu pela primeira vez não irei votar.

A pandemia me abalou muito psicologicamente quando ela chegou no país. Eu fiquei tão aflita e desencorajada que acreditei que não haveria eleições, que seriam adiadas para o próximo ano.

Quanta ingenuidade (ou ignorância), né? Sendo sensata e racional é quase impossível um país corrupto como o Brasil, com uma política majoritariamente tratada como cabide de emprego e nepotismo, pensar em cancelar a chance de renovar as velhas figuras nas cadeiras públicas.

Errei também por não ter pedido a transferência do meu título com antecedência e deixei para esse ano. Chegou a pandemia e eu fiquei tão desnorteada que perdi os prazos. Não estou feliz, pelo contrário, estou triste. Eu sempre quis votar. Acompanhava minha mãe, minha madrinha na votação e queria crescer logo para votar também.

Acredito e valorizo demais esse direito conquistado com muita luta de tantas pessoas, o direito ao voto. Desde os meus 18 anos, quando tirei o meu título, passei a votar e nunca faltei em nenhuma eleição. Se estava viajando voltava mais cedo, mas nunca deixei de votar, sempre quis fazer jus a esse meu direito.

Esse ano, por indisciplina não votarei.

Havia pensado em fazer um post convidando candidatas mulheres a falarem como tem sido para elas viver essa experiência de se candidatarem pela primeira vez, mas, com a prioridade sendo a faculdade não consegui encaixar na minha agenda.

Talvez eu consiga exercer de alguma forma o meu direito por aqui, pois, quero falar com você que está descrente da política que NÃO DESISTA DA POLÍTICA, VOTE não abra mão desse direito tão importante, o único momento em que você cidadão tem de escolher quem vai representar você nas cadeiras públicas.

Caso ainda não tenha escolhido em quem irá votar, eu trago algumas sugestões para você:

  • Vote em mulher,
  • Vote em mulher periférica,
  • Vote em mulher preta/parda/indígena;
  • Vote em mulher trans;
  • Vote em homem trans;
  • Vote em cientista;
  • Vote em quem é de esquerda, mas não é extremista;
  • NÃO vote em quem já está há mais de um mandato no cargo e nada de relevante fez até hoje; (se não fez em quatro anos não irá fazer agora)
  • NÃO vote em homem; (eles já são a maioria e nada fazem por nós mulheres, continuam nos matando/violentando a cada dia mais e nada é feito para proteger nossas vidas e nem nossos direitos)
  • NÃO vote em quem usa patente ou cargo religioso; (se a pessoa não tem proposta e precisa usar de seu título/cargo significa que nada quer/vai fazer pela população)
  • NÃO vote em quem é rico (empresários, classe média alta no geral); (eles só governam para ficarem mais ricos em cima da gente, que fica mais pobre, lembrem-se que antes do Lula/Dilma era a elite que governava o Brasil e nada fez pela população pobre/periférica)
  • NÃO vote em quem usa o nome de Deus/Jesus, enfim, de religião para pedir seu voto; (o mesmo que já disse sobre quem usa patente)
  • NÃO vote em quem não diz sobre o que quer fazer e só fica falando mal dos concorrentes; (atacar o concorrente é uma forma de ocultar a sua falta de interesse e proposta de fazer algo pela população)
  • NÃO vote em quem apoia o governo federal; (a pandemia, o desemprego, a fome voltando, a politicagem com a vacina contra a Covid-19 são bons motivos para não votar, concorda?)
  • NÃO vote em quem pede o seu voto em troca de qualquer coisa; (quem faz barganha pra ganhar seu voto também fará para ter mais poder em cima de você)
  • NÃO vote em quem é racista, misógino, LGBTQfóbico e seja contra vacinação. (esse tipo de pessoa não se preocupa com o próximo, não fará política para todos, mas apenas para quem considera igual)

 

Deixo abaixo alguns sites que sugiro que você confira e pesquise para decidir o seu voto:

 

Lembre-se que o domingo de amanhã durará quatro anos para todos nós.

Vote, mas vote consciente.

3 Comentários

  • Heldon

    Nós, seres humanos, algumas vezes procedemos de forma que o extinto de sobrevivência ou qualquer outro que involuntariame nos impele a retroceder conquista-nos como prevenção. As vezes é algo exagerado, outras vezes não. O importante é pensar a respeito antes e depois. Ver o que acontece nos dias posteriores e jamais se culpar. O tribunal humano jamais será justo… Aproximado disso talvez…
    Não nos conhecemos a ponto de estarmos seguros e certos do que fazer. A vida é boa por causa disso. Aceitar o inaceitável é uma constante em nossas vidas… O que dizer da hora do luto que sempre nos surpreende? Nada. Simples assim.
    A busca constante de nós mesmos em uma corrida até o dia da nossa morte dá a cada um direções e experiências que sempre valerão o sucesso ou o infortúnio.

  • Luiz Shigunov

    Perfeito. Infelizmente desta vez deixei minha cultura falar mais alto e deixei pra mudar o título no começo do ano. Veio a pandemia e me ferrei 😦

    Melhor fazer ontem o que vc pode fazer amanhã!

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