pandemia covid-19
Conversas em tempos de Pandemia

O que não é bênção, é lição.

Escutei em um vídeo, um professor dizendo que muitas pessoas estavam chamando a pandemia de “benção disfarçada” e fiquei incrédula! Se tem um nome que não cabe nessa pandemia da Covid-19 é benção!

Vejamos o que a Wikipedia (2020) diz sobre essa palavra:

No hebraico, a palavra bênção (baarah) vem de uma raiz (barakeh, beirakheh) que significa ajoelhar, abençoar, exaltar, agradecer, felicitar, saudar. Tanto no hebraico quanto no grego (eulogia) apresenta um sentido de concessão de alguma coisa material. Todavia, a forma grega acrescenta ainda os bens espirituais. Nos dicionários, consta como ação de benzer, favor divino, graça.

Bom, pelo menos para mim, uma nova doença que tem a capacidade de matar mais de um milhão de pessoas pelo mundo e somente com a descoberta de uma vacina que conseguiremos frear essas mortes de bênção e graça não tem absolutamente nada! Você concorda?

Há ainda um dito popular que diz: “Se não é bênção, é lição.”

Para mim o termo lição articula muito bem com a pandemia. Porque durante esses dez meses de pandemia, só no Brasil, nós não temos como sair dessa situação como entramos, não dá, todo dia é tanta informação, nas redes sociais, na televisão, nos jornais, nos letreiros pela rua, enfim, o tempo todo lemos e ouvimos sobre a pandemia. No mínimo, entendemos agora o que significa pandemia.

Eu tenho aprendido muito sobre mim, minha família, meus familiares, colegas e amigos ao longo desse período. Por isso, venho escrevendo textos no tom da pandemia: bastante dolorosos de ler e refletir, mas que nos convocam ao aprendizado.

Acredito que todo aprendizado é válido, mas não tem conotação valorativa: bom ou ruim. É neutro. É lição, conhecimento que pode ou não ser transformado em sabedoria. Por isso, resolvi coletar algumas matérias que compartilho o link ao longo desse texto com alguns aprendizados que adquiri nessa situação de tragédia em que vivemos.

Pretendo encerrar o ano com uma mensagem de esperança e aprendizado neste último texto de 2020. Com o desejo de que você ao ler esse texto possa sentir a esperança que vem do verbo esperançar (que nos convoca para a ação rumo ao que almejamos) e não do verbo esperar (que nos mantém parados no mesmo lugar achando que cairá do céu a solução para tudo).

A natureza não depende de nós, mas o contrário não é verdadeiro.

Minha primeira lição na pandemia foi perceber alguns sinais de recuperação, em determinados aspectos, da natureza, durante o período de isolamento social em que vivemos nos meses iniciais.

Com a redução do trânsito de pessoas e de veículos, a poluição teve algumas quedas. Animais puderam se reproduzir em seus ambientes naturais com tranquilidade. A emissão de gás carbono diminuiu com a redução dos veículos e da produção de petróleo. Alguns rios e oceanos tornaram-se menos poluídos. Abalos sísmicos de menores proporções puderam ser percebidos pelos cientistas.

É claro que não estou dizendo que a natureza se recuperou de tanta devastação produzida por nós, seres humanos, nada disso. Mas o sinal que ela nos deu é que se a gente por aqui não mais existir, ela agradece e consegue se recuperar, ou seja, ela não precisa de nós. Mas nós sem ela não duramos nada.

A periferia quando se une e se articula ganha poder e se fortalece.

‘Se um vizinho tem comida, ninguém passa fome’

Essa foi uma das frases mais ouvidas durante as pesquisas feitas nas periferias por pesquisadores a fim de descobrirem como estavam conseguindo sobreviver no meio dessa pandemia que denunciou de forma gritante a desigualdade social brasileira.

Sabemos que o impacto econômico, social e de saúde foi primeiramente sentido nas periferias, e, até o governo federal decidir e distribuir o auxílio emergencial muitas famílias pobres já haviam perdido suas rendas e as prateleiras da cozinha estavam vazias. Só mesmo por meio da articulação entre os pares, voluntários e organizações não governamentais para que essas pessoas sobrevivessem até conseguirem receber o famigerado auxílio de R$600,00 (que depois foi reduzido para a metade, e, a partir de janeiro de 2021 será cancelado por completo pelo Presidente da República).

Isso demonstra que quando os mais negligenciados pelo Estado se reúnem de forma articulada, grandes resultados são gerados. Para conhecer alguns desses movimentos e contribuir (doando ou ajudando a divulgar) sugiro que clique nos links adicionados nesta seção do texto.

A imposição do teletrabalho ou home office deslegitimou o discurso de que se produz menos de casa.

Antes muitas empresas nem se permitiam conversar sobre um formato remoto de trabalho, a justificativa mais comum era a de que em casa não seria possível produzir resultados tão bons quantos no escritório. Apenas uma desculpa para continuar mantendo o controle sobre os corpos dos colaboradores, nada mais.

E com a obrigatoriedade do distanciamento social, as empresas não puderam parar, sendo a única alternativa adotar o trabalho remoto. Os resultados ou se mantiveram ou até melhoraram, o que fez com que algumas empresas até decidissem manter esse formato mesmo após a pandemia. O lado bom disso foi que muitas famílias que não tinham a oportunidade de conviverem diariamente puderam passar mais tempo unidas. O maior indício desse benefício foi a baixíssima taxa de doenças respiratórias em crianças no período do inverno.

Tenho uma amiga que percebeu que o tempo de qualidade que tem com o filho é muito maior e mesmo depois da flexibilização das regras ela não quis mais colocar ele na creche em tempo integral, mantendo assim a sua relação próxima com ele.

Quando as pessoas se unem em prol do bem comum a solidariedade ganha força e faz a diferença.

Durante todo o período da pandemia percebemos a união das pessoas conscientes que se reuniram para ajudar a quem mais precisava e menos condições tinha de enfrentar a pandemia.

Eu pesquisei e me envolvi em algumas ações solidárias voltadas para o combate à fome, o fortalecimento da educação, o combate às queimadas no Pantanal, ações direcionadas às pessoas em situação de rua, as pessoas moradoras das periferias, enfim, me envolvi com ações que buscavam dar condições mínimas de dignidade e força para enfrentar esse período tão difícil. E não fui a única, milhares de outras pessoas também se mobilizaram.

Meu desejo é que esse sentimento de fraternidade não cesse em 2021, pois, os impactos da pandemia na economia ainda será forte e as pessoas mais negligenciadas pelo governo ainda necessitarão de nossa ajuda. E pode até parecer pouco se olhar para a nossa ação individual, como por exemplo a doação de 1 lata de leite, ou de apenas R$10,00 para uma campanha, mas não devemos pensar assim. O pensamento adequado é aquele que valoriza e estimula as pequenas ações individuais porque junto a de outras pessoas ganha força! O coletivo tem poder quando se une e faz o bem prosperar. Então, se você puder, colabore, ajude, contribua com ações de combate a fome.

Clique aqui para assistir a uma webserie que ilustra alguns recortes de solidariedade e algumas reflexões sobre a pandemia.

Deixou outra dica, que tal escrever uma carta para o seu Eu do Futuro? Onde somente você terá acesso. Clique aqui e veja como escrever para a Cápsula do Tempo.

Concluo desejando um 2021 com CURA, vacina no Brasil e em outros países pelo mundo.

Desejo CONSCIÊNCIA elevada sobre a nossa co-responsabilidade nessa pandemia uns para com os outros.

Que a luz divina, o perdão e o amor invada os nossos lares, os nossos corações e as nossas mentes.

Que sejamos mais felizes e que todo mal sare dessa nossa Terra.

Até 2021!!

Um comentário

  • LUIZ SHIGUNOV

    Para mim foi um ano de muito aprendizado. E fico grato por poder encerrar o ano com saúde e minha família tb.
    Sou grato tb por existirem pessoas dispostas a ajudar os outros. Sem elas muita ajuda não chegaria a quem precisa.

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