parem de julgar as mães de crianças atípicas
Conversas sobre a sociedade

Parem de julgar as mães das crianças atípicas.

Essa semana eu li um post de uma amiga muito querida, que nos falamos apenas pela rede social, que o seu caçulinha foi diagnosticado com autismo nível moderado. O seu primogênito também tem esse mesmo transtorno, só que nível leve.

Quando li isso fiquei triste, mas o sentimento de indignação com os comentários de outras mães, também de crianças atípicas, foi muito maior! Elas falavam das dores que sentiam com o julgamento e as críticas que sofriam por parte de conhecidos e familiares sobre o modo como cuidam de seus filhos.

Palavras que ferem.

Sinceramente, que mundo é esse que não tem empatia com as crianças neurodivergentes!?

Que mania é essa de criticar/rotular uma criança que esteja se balançando, agitada, chorando, batendo a cabeça ou qualquer outro comportamento repetitivo ou agressivo, que as crianças atípicas fazem quando estão estressadas devido aos estímulos do ambiente. Pessoas desferem a sua língua ferina dizendo: “que criança malcriada!”, “que mãe frouxa”, “que criança mimada”.

Pelo amor de Cristo! SÓ PAREM!!!! P-A-R-E-M!!!

Falando de modo bem didático e simplista, essas crianças possuem um cérebro que NÃO consegue processar adequadamente todos os estímulos aos quais NÓS TODOS estamos assujeitados: barulho de trânsito, som dos pássaros, vozes, texturas, temperaturas, tato, cheiro, luz e tudo o que nos envolve no mundo. Para elas a intensidade é muito, MUITO, muito maior do que para nós, que não somos neurodivergentes.

Ninguém gosta de se sentir incomodado.

Pense naquele mosquito zunindo no seu ouvido no meio da noite, isso lhe irrita e incomoda até que pare, né?

Agora, pense como você se sente quando aquele vizinho faz um churrasco com som alto e você vai se irritando com o barulho e só quer que aquilo acabe. Até ligar pra polícia você liga, só para fazer aquele barulho cessar.

Se você não curte calor, se lembre de quando tem que ir trabalhar, no verão, num calor insuportável e precisa caminhar debaixo do sol forte e ficar com aquela roupa suada, colada, molhada que te incomoda absurdamente e só passa quando você entra em um local com ar condicionado e se refresca.

Conseguiu reviver essas sensações desconfortáveis? Pois bem, trouxe só esses exemplos bem simples e corriqueiros para você relembrar, e, minimamente, ter a ideia de que se sentir desconfortável no próprio corpo é uma sensação péssima. A vontade é de querer apenas que esse estímulo cesse. E você volte a ficar em paz.

Crianças atípicas, são apenas CRIANÇAS em desenvolvimento também.

As crianças autistas nem entendem direito o que é o transtorno que elas portam. Principalmente aquelas na primeira e segunda infância. Elas são CRIANÇAS que estão aprendendo tudo sobre a vida, as sensações, os seus corpos, a socialização com outras pessoas. Chegaram há poucos anos nesse mundo e precisam aprender a conviver nele com todos esses incômodos potencializados.

Geralmente, a pessoa que mais consegue cessar esses incômodos nelas é a MÃE. Essas mulheres que sofrem por não poder curar seus filhos. Sofrem por não terem apoio. Sofrem por serem criticadas. Sofrem por ter que aprender sozinhas sobre o transtorno. Sofrem por verem os seus filhos tendo que ser inseridos numa sociedade que não dá espaço para quem foge ao padrão.

Muito ajuda quem não atrapalha.

Então, por favor, SÓ PAREM de JULGAR as Mães e suas crianças.

Você quando olhar uma criança com um comportamento atípico no parquinho, no shopping, na rua, NÃO JULGUE. Afinal de contas, você nem conhece a criança. Não faz ideia do que essa mãe viveu no dia. Então, apenas SIGA A SUA VIDA.

E para você que sabe que uma criança da família ou do seu ciclo de amizade é atípica, NÃO OPINE sobre os cuidados que a Mãe dá para os filhos. Se você não é especialista em desenvolvimento humano, não tem experiência nenhuma com crianças atípicas, dificilmente, terá uma contribuição positiva para oferecer. Então, apenas DOE AMOR. Respeite. Acolha.

Maternar uma criança é desafiador, maternar uma criança atípica é muito mais.

A sociedade não abre espaço para quem não é padrão, típico. Então, não seja mais uma pedra no caminho. Cresça enquanto ser humano. Torne-se ponte para que essas crianças e suas mães possam ocupar o espaço social que tem direito.

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